domingo, 18 de abril de 2010

Carl Jung

"A base dessa terapia Junguiana é um diálogo constante entre o ego consciente e inconsciente. O ego é a nossa parte consciente: é o que eu sei; o que conheço de mim; o que me lembro; o que sei que desejo. O ego inconsciente é: o que desconheço de mim, ou que esqueci; tudo o que sinto sem perceber; desejos desconhecidos; aspectos da personalidade que não reconheço; o que está fora da consciência, mas que existe dentro de mim"


Descrever um processo terapêutico de uma maneira adequada é difícil, mas dá para se mostrar uma parte das finalidades a que ele se propõe .

A melhor maneira de saber o que é uma terapia, é passando por ela.

Começando pelo setting terapêutico, na abordagem junguiana, analista e paciente sentam-se frente a frente.

Jung aboliu o divã, porque achava necessário um confronto direto e pessoal.

Jung aconselhou o analista a estudar o máximo e aprender tudo que puder, e a esquecer tudo quando encarar o paciente.

Ele dizia que os analistas devem estar abertos para aprender e para se adaptar “ao que vem ao seu encontro”.

Ele também diz que todas as abordagens são corretas e devem ser aplicadas e tentadas para o bem do paciente.

Todo o conhecimento do analista deve ser usado sem preconceitos.

A base dessa terapia é um diálogo constante entre o ego consciente e inconsciente. O ego é a nossa parte consciente: é o que eu sei; o que conheço de mim; o que me lembro; o que sei que desejo. O ego inconsciente é: o que desconheço de mim, ou o que esqueci; tudo o que sinto sem perceber; desejos desconhecidos; aspectos da personalidade que não reconheço; o que está fora da consciência, mas que existe dentro de mim.
Abaixo, explicarei por que o terapeuta deve ter o máximo de conhecimento não só de psicologia, mas de literatura, artes, música, mitologia e religiões.
Por que terapia junguiana não realiza um processo de cura?
"A terapia não é uma cura, pois não consideramos o paciente um doente, ele apenas não teve acesso às suas potencialidades, e essas não sendo reconhecidas, podem influenciar negativamente sua vida cotidiana"
Acima falei sobre a base da terapia junguiana e por que Jung aboliu o divã. Agora vou me aprofundar um pouco no "processo de cura" dessa terapia.
Bem... não é o que o analista acha ou sua filosofia de vida que deve ser passada ao cliente, nem mesmo o que ele considera certo ou normal.

Jung acreditava que a psique (mente) tem potencial para a cura, e que seguindo o inconsciente através dos sonhos, símbolos, criações artísticas teríamos o caminho para a cura.

Por isso, o terapeuta deve ter o máximo de conhecimento não só de psicologia mas de literatura, artes, música, mitologia, religiões. Esse conhecimento geral vai ajudá-lo a entender melhor os símbolos e a psique de seu paciente.

Para isso ele pode usar várias técnicas que ajudarão no processo de tornar conteúdos desconhecidos conscientes.

Exemplos dessas técnicas são: imaginação ativa, interpretação de sonhos, fantoches, caixa de areia, pintura, expressão corporal e muito mais. No desenvolvimento desta coluna em textos posteriores explicarei cada uma delas.

Quem procura terapia geralmente atribui seus problemas, neuroses e infelicidade aos acasos da vida ou ao próximo - quanto mais próximo, melhor.

É função do terapeuta auxiliar a pessoa a reconhecer sua responsabilidade nos problemas que enfrenta. Para isso ele aponta a trave no olho, ao invés de ver o cisco no olho do vizinho.

O processo terapêutico auxilia a pessoa a entrar em contato consigo mesma, para desenvolver seu potencial criativo.

Não precisamos ficar doentes ou com problemas para procurarmos terapia. Ao contrário, deveríamos iniciá-la quando estamos bem, para termos mais força e reagirmos com mais equilíbrio frente aos problemas que temos de enfrentar.

A terapia não é uma cura, pois não consideramos o paciente um doente, ele apenas não teve acesso às suas potencialidades, e essas não sendo reconhecidas, podem influenciar negativamente sua vida cotidiana.

A terapia de abordagem junguiana tem como foco principal ligar aspectos inconscientes da personalidade ao ser consciente. Alcançando essa meta, seremos transformados através do processo que Jung chamou de “individuação”, unificando a personalidade e tornando-se consciente como individuo único e integro no mundo.
Como o complexo reflete nas suas atitudes.
"Ao se referir a alguém como autoritário, deve-se inverter. Ao invés de dizer, fulano é autoritário”, dizer: “ Eu sou autoritário” ou “Meu complexo é autoritário”. Assim, iremos tocar direto no complexo e diminuiremos sua força, já que traremos para o consciente algo que está escondido e nos faz perder a cabeça"
Acima, expliquei por que a terapia junguiana não realiza um processo de cura. Agora vou dar sequência ao processo terapêutico desenvolvido por Jung abordando os complexos.
O complexo é um conjunto energético estrutural da psique (mente) formado por imagens, lembranças, fantasias e ideias; nome dado ao que se torna confuso, complicado e intrincado.
Na nossa personalidade existem vários complexos, vários núcleos complicados que são acessados através das emoções, sonhos e imaginações. Podemos reconhecer alguns deles e saber quando aparecem. Outros são tão escondidos e disfarçados que nem temos ideia que existam. Para Jung, o complexo é “a via régia (o caminho) para o inconsciente”.

São muito conhecidos os complexos de inferioridade e de culpa. Mas existem outros, como por exemplo, o de autoridade.

É o caso de uma pessoa que tem problemas com autoridade, não aceita patrões e nem disciplina. Qualquer pessoa que lhe diga o que fazer ou que queira liderá-lo, é imediatamente descartada por ser “mandona”, “autoritária” e “inflexível”. Em geral, quem sofre desse complexo pode entrar em conflito, perder a cabeça e acabar dizendo o que não queria.

Qualquer insinuação ou palavra, mesmo que de leve, lembre autoridade, faz com que essa pessoa aja de modo destrutivo, perdendo cargos ou trabalho. Esse indivíduo sempre põe a culpa nos outros.
Em resumo, numa linguagem leiga essa pessoa tem um “complexo de autoridade”. Assim projeta nos outros sua própria autoridade interna e não reconhecida. Trata-se de um autoritário que não exerce sua autoridade. Mas quando exercida, é sempre de modo agressivo, tomado pelo complexo.
Sempre que um complexo nos domina agimos de forma inadequada e depois nos arrependemos.

Durante a terapia temos que abordar esse e outros complexos que irão aparecer nos sonhos, nos relacionamentos...

O doutor Edward Whitmont analista membro do Centro de Treinamento C.G.Jung de Nova York sugere:
Ao se referir a alguém como autoritário, deve-se inverter. Ao invés de dizer, fulano é autoritário”, dizer: “ Eu sou autoritário” ou “Meu complexo é autoritário”. Assim, iremos tocar direto no complexo e diminuiremos sua força, já que traremos para o consciente algo que está escondido e nos faz perder a cabeça. Sempre que a perdemos, o complexo está atuando e nos dominando. Quanto mais inconsciente, mais força esse complexo tem. Segundo Jung, “não temos um complexo , é ele é que nos tem” é autônomo, e não conseguimos controlá-lo.

O complexo não é só negativo. Muitos complexos são positivos e afetam nossa criatividade e nosso desenvolvimento psíquico.

Quando alguém nos fascina, nos atrai, quando uma pessoa ou ideia nos apaixona, também é um complexo que vem à tona. Pode ser algum potencial positivo que não desenvolvemos e está presente no outro e assim nos fascina. O potencial positivo nos atrai e o potencial negativo nos irrita.

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