domingo, 9 de janeiro de 2011

Ética Cotidiana

Todos os dias, no noticiário, lêem-se denúncias de corrupção e atos criminosos por parte de políticos e governantes. Essa situação torna desculpáveis as pequenas transgressões que os cidadãos cometem no dia-a-dia?
De forma nenhuma. É execrável que figuras públicas ou eleitas pelo voto popular não sejam nem a sombra do exemplo ético e moral que se espera que elas sejam. O fato de haver criminosos ou suspeitos em altos postos da hierarquia política só aumenta a responsabilidade pessoal dos cidadãos de bem.   


Pedir ao avô ou a uma amiga grávida que compre ingressos na fila preferencial é passar os outros para trás?
Sim. O avô ou a amiga grávida, a seu pedido, estará aumentando o número de pessoas em uma fila que, de outro modo, seria menor.

  
Pagar a alguém para ficar na fila no seu lugar ou pedir esse favor a um amigo prejudica os demais?
Não prejudica. O que conta em uma fila é o número de pessoas que estão nela. A troca de uma pessoa por outra não altera o resultado final do incômodo. 


Consumir produtos importados de países que comprovadamente usam mão-de-obra escrava equivale a aprovar essa prática?
Pior do que isso. Equivale a financiar essa prática. Evitar esses produtos é a coisa certa a fazer – mesmo que isso não sirva para punir economicamente o explorador –, pois outras pessoas vão continuar a comprá-los.   



Um motorista profissional que precisa da carteira de habilitação para sobreviver e alimentar mulher e filhos recebe uma multa que implica a perda do direito de dirigir. É ético ele pedir à mulher que assuma a responsabilidade pela multa?
Eis um dilema. Mas a resposta é não. O acúmulo de multas, assumindo que os guardas de trânsito agiram corretamente, mostra que ele não é um motorista responsável. Portanto, do ponto de vista do bem comum, o certo é impedi-lo de dirigir. O ideal seria que, nesses casos, o Estado tivesse mecanismos de amparo à família do motorista e oferecesse um curso de reeducação para o trânsito no prazo máximo de uma semana após a perda da habilitação. 



Uma gravadora anuncia que não tem planos para lançar no Brasil determinado DVD. Esse mesmo DVD é vendido em cópias piratas. Nesse caso, é ético recorrer ao mercado negro?
É quase irresistível, mas a resposta é não. Comprar o DVD em questão estimula a pirataria, atividade que concentra renda nas mãos de bandidos, destrói empregos formais e empobrece as pessoas honestas.   



Os brasileiros trabalham quatro meses por ano para pagar impostos que serão desperdiçados por gestores incompetentes ou vão parar, em parte, no bolso de corruptos. Portanto, obter um desconto no consultório médico aceitando a proposta de pagar "sem recibo" é não apenas uma vantagem pessoal, mas também vingança contra o governo. Certo?
Certamente é as duas coisas. Mas é também um claro atentado à ética. Não se combate a corrupção com corrupção. A maneira de protestar contra governos que gastam demais e políticos desonestos é nas urnas. Pode demorar e ser pouco eficiente, mas é assim que se constrói um país.   



Mas o valor que se paga em impostos não é devolvido na forma de benefícios. Não é realmente legítimo buscar atalhos para diminuir a carga tributária pessoal?
Não, porque o Estado vai obstinadamente buscar a quantia de que precisa para pagar o serviço de sua dívida e financiar seu funcionamento. Portanto, quem paga menos vai sobrecarregar quem paga corretamente. Vai penalizar a vítima e não o culpado, o Estado. Procurar atalhos legais para diminuir o valor do imposto a pagar é correto. 



Registrar um imóvel por um valor mais baixo para escapar dos impostos é prática corriqueira no Brasil. Isso é aceitável?
O certo é pagar os impostos pelo valor exato da transação. Proteste nas urnas escolhendo candidatos com planos viáveis de baixar tributos. Organize passeatas contra os impostos altos, junte-se a grupos que já protestam.

   
Avançar o sinal vermelho à noite, quando quase não há movimento, aumenta a segurança contra assaltos. Isso é correto?
Sim. Como lembra Ubirajara Calmon Carvalho, professor de filosofia da Universidade de Brasília, "as regras foram feitas para o ser humano, e não o contrário". Nesse caso específico, fica a critério do motorista proceder da maneira mais segura para ele e para os outros.   



É certo avançar na faixa mesmo quando não há pedestres passando?
De dia, não. De madrugada, diminua a marcha, observe com cuidado redobrado e atravesse.   



Usar o telefone da empresa para interurbanos particulares é uma maneira de economizar. Mas isso é aceitável?
Isso é furto. Equivale a abrir o cofre da empresa e enfiar a mão em um maço de dinheiro. Salário baixo, mesquinhez patronal ou más condições de trabalho não justificam esses pequenos expedientes.   



É melhor ter meninos malabaristas, engolidores de fogo e vendedores de balas nos cruzamentos das grandes cidades do que tê-los assaltando, certo?
Não. As duas coisas não são excludentes. O mais útil para a sociedade é que os meninos e meninas estejam na escola estudando, sendo alimentados e orientados. Mas a caridade individual não deve ser regulada por uma ética coletiva. Ela pertence àquela região interior em que manda a convicção pessoal.   



Quem consome drogas ocasionalmente está ajudando o crime organizado e financiando, sem querer ou saber, latrocínios, seqüestros e chacinas?
Sim. Sem o dinheiro dos consumidores, o tráfico de drogas desapareceria. O "ocasionalmente" não torna o consumo mais aceitável. É o mesmo que aceitar que uma pessoa cometa no máximo dois ou três assassinatos por ano.   



"Eu apanhei dos meus pais e me tornei um adulto psicologicamente normal, um bom marido e um profissional correto. Isso me diz tudo o que preciso saber sobre dar umas palmadas nos meus próprios filhos." Certo?
Não. Castigos físicos deseducam.   



Um amigo relapso, de péssimo desempenho escolar e vida desregrada contava a todos que conseguira um emprego exagerando suas qualidades no curriculum vitae. Desde que começou a trabalhar, ele se endireitou e hoje pede a todos que não contem a seu patrão o "deslize" inicial da carreira. É certo ajudar o amigo a esconder o embuste?
Não, mas, se o sujeito se endireitou, deixa pra lá.   



Na dúvida sobre quem roubou uma prova, o professor decide punir igualmente toda a classe. Para a maioria, a punição terá efeitos superficiais. Para dois alunos pobres, porém, ela significará a perda da bolsa de estudos e a expulsão do colégio. O professor deveria relevar o erro coletivo para salvar os dois alunos pobres?
Sim. Injusto é permitir que um mesmo erro ou suspeita produza punições tão díspares, atingindo violentamente alguns, enquanto outros se safam com apenas uma admoestação. 



Um colega de classe invariavelmente leva "cola" em dias de prova. O correto é delatá-lo?
Não. Na cultura brasileira delatar é pior do que colar.  


Permitir que filhos adolescentes procedam de maneira errada na escola e em sociedade sob a desculpa de que eles – os pais – também fizeram suas bagunças é certo?
É cômodo, mas não é certo. O aprendizado se faz com base nas experiências, boas ou ruins, de gerações passadas. "Sorte dos filhos cujos pais aprenderam com os erros da adolescência", diz o filósofo Alípio Casali, da PUC de São Paulo.  


Os ativistas de defesa dos animais jogam tinta nos casacos de pele das pessoas no Hemisfério Norte. Isso é correto?
Não. Essas agressões não inibem a matança de animais. O mais eficiente é mostrar imagens de filhotinhos submetidos a sofrimentos indizíveis.


Estacionar em fila dupla é proibido, mas dar uma paradinha rápida para comprar um remédio ou entregar uma encomenda é um delito menor, não?
A parada só é rápida para quem parou. Para as outras pessoas, dependendo da pressa, essa manobra pode significar um incômodo gigantesco. 


Uma das professoras da pré-escola decidiu contar a um menino que Papai Noel não existe. A justificativa dela foi que os coleguinhas já não acreditavam e faziam troça dele. Ela agiu corretamente?
Não. A escola ensina, os pais educam. Caberia à professora alertar os pais para a situação incômoda do filho.


Um médico propõe dar dois recibos com datas diferentes de modo que o valor de cada um fique dentro da quantia coberta pelo seguro-saúde. Assim, o paciente conseguirá ser reembolsado pelo valor total da consulta. É errado aceitar a oferta?
Sim. Os custos dos planos médicos particulares são calculados sobre toda a sua base de clientes. Com sua economia, você acabará tornando as mensalidades mais altas para quem age de acordo com as regras.  
Uma pessoa tem certeza de que tolera muito bem a bebida e se sente apta a dirigir mesmo depois de tomar três doses de uísque. A lei não deveria prever esses casos?
Não. O limite alcoólico estabelecido em lei é aquele a partir do qual a maioria dos seres humanos tem sua capacidade de julgamento comprometida. Deixar esse limite ser estabelecido caso a caso não funciona.  


Você acredita que um amigo de seu filho adolescente é uma má influência. Não transmitir os recados que esse amigo deixa com a intenção de proteger seu filho é uma boa idéia?
Não. Além de ser uma tática pouco eficaz, ela tem uma dose de desonestidade e tira do jovem um direito que é dele – o de escolher seu grupo. É melhor expor suas dúvidas e conversar a respeito, para que ele possa, quem sabe, repensar as amizades.


Um professor de tênis sabe que seu pupilo não tem potencial para ser um bom jogador. Ano após ano ele continua cobrando as aulas do garoto. O correto é dizer a verdade, perder o aluno e o dinheiro das aulas?
Depende. Se a criança tem a ilusão de que se tornará tenista profissional, sim, é obrigação dele ser claro a respeito de seu julgamento. Se o aluno só quer se divertir, o professor pode continuar dando as aulas.

  
Anular o voto na próxima eleição em protesto pela má conduta dos políticos é um procedimento correto?
Pode não funcionar como protesto, mas anular o voto não fere a consciência individual de ninguém. O americano Alasdair MacIntyre, autoridade em filosofia moral, defendeu o voto nulo na última eleição americana: "Quando nos é oferecida a opção entre duas alternativas políticas intoleráveis, é importante não escolher nenhuma".  


Alguém ouve música em alto volume, mas ainda dentro do limite legal dedecibéis para aquela região. O vizinho reclama. Quem tem razão?
Ao contrário do limite alcoólico, o grau de incômodo sonoro deve, sim, ser regulado caso a caso. Quem reclama deve ter suas razões (um bebê recém-nascido em casa, por exemplo).  
Recorrer a despachantes para apressar o andamento de documentos é ético?
Esse é um caso em que se está em um limite nebuloso da lei e da ética. A atividade de despachante é legal, mas esses profissionais freqüentemente recorrem a propinas e "jeitinhos" que alimentam a máquina da corrupção.  


Um casal de amigos adotou uma criança e não pretende revelar que ela não é filho natural. Você sabe que essa omissão pode prejudicar a criança mais tarde. É certo contar a ela sua real situação familiar?
Não. O adotado que descobre a verdade acidentalmente ou por outras pessoas sofre mais do que aquele que recebe a notícia dos pais. O mais correto é convencer o casal de amigos a dizer a verdade quando e como eles quiserem.


Quando a estrada está vazia e não há radar à vista, ultrapassar o limite de velocidade não traz maiores conseqüências, correto?
O limite de velocidade é imposto justamente para evitar acidentes em circunstâncias imprevistas. Além disso, o desrespeito à lei é desrespeito mesmo quando não há ninguém olhando.  


O.k., mas circular no próprio bairro em dias que o rodízio proíbe não coloca ninguém em risco...
Certo, mas a lei é feita para todos e, se todos seguirem essa mesma lógica, o rodízio perderá sua eficácia. Se o rodízio for para conter a poluição, sair de carro é ainda mais errado.  


É certo usar uma foto em que você nem parece ter barriga para se propagandear em um site de paquera na internet?
Pela etiqueta da internet, isso não é certo nem errado. É quase uma obrigação. Como 99% das conversas on-line não passam da fase virtual, não há problema algum em se mostrar virtualmente diferente.


Alguns religiosos americanos dizem que, se Jesus vivesse entre os mortais hoje, jamais dirigiria um utilitário, pois esses carros consomem muito combustível e, por isso, prejudicam todo mundo. É correto ter um carro grande para uso individual? 
É permitido pela lei. Pode ser ecologicamente incorreto, mas ninguém deve se sentir mal por isso.  


Um médico tem na mesa de cirurgia uma criança que só pode ser salva com uma transfusão de sangue. Os pais proíbem a intervenção sob o argumento de que isso vai contra a religião deles. O médico deve fazer a transfusão de sangue e salvar a criança?
Em uma emergência, sim. Ele seria protegido pela lei e pela ética médica. Havendo tempo, deve procurar o amparo legal de um juiz.  


Um pássaro de comercialização ilegal está exposto em uma feira de animais em condições de evidentes maus-tratos. É correto desrespeitar a lei, comprar o pássaro e dar-lhe uma vida melhor?
Não. Da mesma forma que com o tráfico de drogas, é o fato de haver consumidores que alimenta o tráfico cruel de animais silvestres. Sem compradores, ele deixa de existir. O melhor é fazer uma denúncia à polícia.  


Se a maioria dos vizinhos se cotiza para pagar um guarda-noturno para o quarteirão, é justo que um morador se recuse a contribuir?
Não. Mesmo que alegue não fazer questão do serviço, ele se beneficiará dele.


O carro sofreu batidas fortes, mas foi totalmente recuperado e parece em ótimo estado. Ao vendê-lo, é honesto não dar todos os detalhes sobre a gravidade das batidas?
Não. Omitir esse tipo de informação é inaceitável do ponto de vista ético. Além disso, agindo assim, o antigo proprietário se torna juridicamente acionável em caso de danos futuros conseqüentes das avarias não relatadas ao comprador.

  
Vejo que muitos motoristas jogam o toco de cigarro pela janela, em vez de apagá-lo no cinzeiro do carro. Isso é aceitável?
Não. Você jogaria uma bituca no chão de sua própria casa? Pois então não existe desculpa para sujar o chão dos espaços públicos, que são a casa de todos.

sábado, 8 de janeiro de 2011

Ética Disciplinar na Catequese

I - DISCIPLINA  

1 - DISCIPLINA QUANTO ÀS REUNIÕES GERAIS.

Quem trabalha em qualquer área da catequese precisa compreender que sua participação nas reuniões gerais é de suma importância, uma vez que são nestas reuniões que são discutidas as questões relacionadas a sua missão catequética.

2 - DISCIPLINA QUANTO À ORGANIZAÇÃO / PLANEJAMENTO

São os relatórios que demonstram como está andando a catequese de cada centro catequético. O catequista, por meio de relatórios, podem ajudar ao coordenador paroquial e diocesano, a administrarem suas respectivas áreas. Um catequista que não consegue organizar e entregar seus relatórios demonstra uma deficiência em sua coordenação, visto que essa parte é a mais simples na função que desenvolve.  

3 - DISCIPLINA QUANTO A ORGANIZAÇÃO DA CATEQUESE

Aos coordenadores.

O coordenador não pode ficar levando a catequese de qualquer maneira. Tem muitas paróquias onde a catequese é totalmente desorganizada, com freqüência baixa dos catequizandos, turmas amontoadas, horários irregulares, catequistas despreparados, catequizandos e pais descontentes, entre tantos outros problemas. O coordenador deve reconhecer quando o centro catequético que dirige estiver deficiente, porque só quando ele reconhece que tem deficiência é que ele poderá ir a busca da cura, ou solução.

B - Aos catequistas.            

A turma da catequese é o lugar de trabalho pastoral do catequista, é o seu ambiente de relacionamento com os seus catequizandos, se alguma coisa de errado estiver ocorrendo, é aqui onde mora o problema: na organização. Se os catequizandos não estão freqüentando os encontros como deviam, ou o catequista já ouve murmúrios de que os seus encontros não estão alcançando o esperado, então, é melhor se localizar e recorrer aos meios de sanar possíveis impedimentos em sua didática, ou forma de ensinar.

4 - OBSTÁCULOS QUE IMPEDEM O CATEQUISTA DE SER DISCIPLINADO.

• Preguiça (de ler, de ir às reuniões, de participar efetivamente nas programações da catequese tanto paroquial como diocesana).
• Falta de senso de responsabilidade. Isso acontece quando o coordenadoror ou o catequista não consegue perceber a importância de sua função.
• Ignorância (não aceita correção, não precisa de formação e nem de reuniões, não muda seus princípios).
• Falta de tempo. Muita gente realmente não tem muito tempo, muita gente, no entanto, usa isso como desculpa para justificar sua omissão, pois o tempo somos nós mesmos que programamos.     

II - RELACIONAMENTO

1 - AOS CATEQUISTAES.  

A - Relacionamento do catequista com o seu coordenador.
Se o relacionamento do catequista de uma turma com o seu coordenador está, de certa forma, afetado por alguma coisa, seja indiferença, desacordo ou falta de diálogo; conseqüentemente, todo a catequese sofre com isso. É por meio do bom relacionamento com seu coordenador que o catequista poderá discutir sobre a falta de material em sua turma, os problemas de má localização de sua turma, limitação didática, o ruim local físico e outras coisas mais.
B - Relacionamento do catequista com o catequizando/a.
A turma é formada por pessoas de vários comportamentos, como aqueles catequizandos com dificuldade de assimilação, ou aqueles que se acham extremamente inteligentes, ou ainda, aqueles que vão a catequese para encontrar os amigos, outros que sempre discordam de tudo, entre tantos outros comportamentos. Tudo isso mostra a responsabilidade que o catequista tem e o quanto é importante que esse catequista conheça a sua turma, para saber como lidar com seus catequizandos. Muitos catequistas não se importam com isso, o que realmente importa é apenas cumprir o programa. O catequista que tem um bom relacionamento com a turma é aquele que consegue perceber o grau de aproveitamento de seus encontros. O grande problema com alguns catequistas é que eles não conseguem interpretar o meio em que trabalham, em outras palavras, não sabem se a turma está satisfeita ou insatisfeita com os seus encontros, se está participando do desenvolvimento dos seus catequizandos ou não. O bom relacionamento de um catequista com sua turma é definido quando se pode constatar que os catequizandos desta turma estão crescendo espiritual, moral e socialmente.   

C - Relacionamento do catequista com o seu pároco.
O bom relacionamento do catequista com seu pároco não pode ser construído sob o medo da comunicação entre ambos. O que o catequista deve fazer é respeitar o seu padre. O catequista deve ser sempre sincero ao informar sobre as ocorrências ao exercer sua função. 

2 - AOS COORDENADORES

A - O Relacionamento do coordenador com o seu pároco.
Em muitas igrejas é comum o pároco não concordar com os métodos de trabalho do coordenador e o coordenador não gostar da maneira como o pároco o critica ou deixa de ajudá-lo. Esses pequenos empecilhos entre lideranças comprometem muito a evangelização, uma vez que o desacordo se reflete nas programações estabelecidas pelo coordenador.

B - Relacionamento do coordenador e os catequistas.
O coordenador só poderá executar com êxito a sua função se o seu relacionamento com os catequistas estiver bem. O coordenador não pode deixar de participar das reuniões e nem deixar de prestar relatórios. Infelizmente, muitos coordenadores não têm um relacionamento estreito com os catequistas, alguns, chegam até a agir com total indiferença, como se não levassem a sério o centro catequético e sua estrutura funcional. A solução para isto é participação em reuniões de comunidades, de paróquia e até diocesanas.

III – PREPARACÃO

O que leva catequistas despreparados a estarem atuando nas turmas de catequese?
- Será a displicência dos próprios catequistas, que quando assumiram a turma demonstravam capacidade e depois relaxaram não agindo mais com responsabilidade?
- Será que certos coordenadores não conseguem distinguir entre um catequista capacitado e outro indisciplinado?
De qualquer forma, o que interessa saber é que um catequista precisa de preparação para pode atuar na catequese. O objetivo do ensino é formar caráter, influenciar, dar instrução e se o catequista não está à altura de atingir esses objetivos o resultado não é outro, senão, a insatisfação da turma e a falta de crescimento teológico e espiritual. O catequista deve ter preparação: 

1 - PSICOLÓGICA.          

A preparação psicológica é necessária à vida do catequista, porque diante das mais ousadas perguntas ou colocações ele deve manter o caráter de alguém que está apto a responder, ou pelo menos saber lidar com qualquer situação. Um catequista não pode ser destemperado, e nem deixar que suas emoções extrapolem suas ações. O catequista preparado psicologicamente age com moderação e segurança.   

2 - ESPIRITUAL. 
          
Os encontros de um catequista não podem se deter apenas a questões racionais. O catequista está diante de uma turma para dar crescimento espiritual aos catequizandos, se ele não tem essa espiritualidade como poderá partilhá-la? Como poderá falar de uma coisa que não vive?  

3 - PEDAGÓGICA  
         
O catequista além de sua espiritualidade e equilíbrio psicológico necessita de preparo pedagógico. O método, o objetivo, a forma como dá o encontro catequético, tudo isso tem relevância quando levamos em conta a responsabilidade que este catequista está subordinado: O ensino!


IV - A EQUIPE CATEQUÉTICA

A equipe com quem o coordenador pode contar é quem organiza e dá saídas para o bom andamento do centro catequético. A falta de comunicação entre todos gera problemas como a não entrega dos relatórios mensais e a falta de organização do centro catequético, etc. A função da equipe é de grande responsabilidade.  A equipe deve ser exclusiva de catequese, se possível, nunca sendo responsável por outras pastorais, pois muito se é exigido dos catequistas e simplesmente boa vontade não poderia gerir bem esta situação. Cada um da equipe deve ter sua função bem definida e estar sempre disponível para o bom andamento da catequese como um todo.

Adaptado Flávio.

Dicas Catequéticas

I - METODOLOGIA

Os métodos didáticos são os elementos que o catequista utiliza para um encontro. Cada catequista deve assumir uma forma própria de elaborar seus temas e de dar seus encontros. Fatores que levam o catequista a desenvolver um bom método didático:
 
1 - LEVAR EM CONTA A IDADE DA TURMA.
O catequista não pode assumir um método de ensino que esteja fora da faixa etária da sua turma. Cada fase da vida está relacionada a certas características e é essas características que o catequista deve estar atento para poder alcançar o êxito esperado. É preciso saber direcionar os encontros dentro desse propósito, para isso, o catequista necessita conhecer as características que permeiam a idade da turma que ensina.
 
2 - TER CRÍTICA AUTO-SUGESTIVA.
Reconhecer que precisa melhorar e até mudar alguns detalhes em sua maneira de dar o encontro de catequese é um dos maiores obstáculos que impede que o catequista alcance um método disciplinar avançado. O catequista precisa ter a capacidade de saber criticar a si mesmo, de reconhecer que precisa de ajuda. Achar que não precisa pesquisar, que não precisa participar de reuniões, que é só abrir o livro e pronto, tudo está feito, é um equivoco crucial para o impedimento do crescimento de qualquer catequista. O catequista deve, acima de tudo, olhar a cada dia no espelho e perguntar para si mesmo: estou alcançando os objetivos necessários para minha missão catequética.

3 - SER UM BOM PESQUISADOR.
É impossível desenvolver uma boa didática se o catequista não tem o habito de pesquisar. Não é que o tema do livro não tenha um aparato suficiente para dar um bom encontro, é que ele é muito resumido e requer alguns recursos adicionais. 
 
II - PROGRAMAÇÃO
 
Na hora de aplicar o tema na catequese, geralmente, o catequista encontra alguns empecilhos que requerem de si certo malabarismo. O encontro programado, feita em casa, ajuda a eliminar esses empecilhos, isso porque o catequista cria um programa com começo, meio e fim. A programação é o controle que o catequista tem sobre o tema do encontro, a capacidade de assimilar e associar dentro de qualquer tempo. Um encontro programado é feita com:
 
1 - OBJETIVOS DEFINIDOS.
A falta de objetividade é o momento em que o catequista parece não saber o que está fazendo, como se estivesse perdido. O objetivo é quando o catequista sai de casa para o encontro sabendo exatamente o que vai fazer e certo dos alvos que vai alcançar.
 
2 - RASCUNHOS.
Muitas vezes o encontro não é dado dentro do tempo previsto porque o catequista ensina cada ponto do tema em apreço, independentemente, como se cada um fosse um assunto particular.
Antes da encontro é preciso que se tenha uma visão panorâmica de todo o tema, então, se faz um rascunho ou esboço com os pontos que definem categoricamente cada tópico.
 
III - NOÇÃO

O CATEQUISTA PRECISA TER NOÇÃO:

1 - Do Tempo
Noção de tempo na hora de dar a encontro. É como um pedestre no momento de atravessar a rua, ele olha para a avenida que vai cruzar e vê que não muito longe vem se aproximando um carro, ele faz um cálculo preciso entre a distância e o tempo, ao fazer essa comparação, ele sabe se atravessa ou não. Assim também deve ser no encontro, o catequista precisa comparar o tamanho do encontro e o tempo e, então, procurar o meio certo para efetivar todo o tema.
 
2 - De funcionamento
Noção de funcionamento é a capacidade que o catequista tem de analisar a condição de sua turma, encontrar as deficiências e efetuar a cura.
 
3 - Das questões
O catequista não é aquele que domina todas as ciências, mas aquele que está apto a responder pelo menos as questões mais embaraçosas. Tome conhecimento das questões mais grotescas em nosso meio e procure as respostas definitivas.

O catequista deve estar apto a responder questões como: 
Divórcio (O que é, porque não, o que a Bíblia diz, o que os homens dizem),
Homossexualismo (Porque não, o que a Bíblia diz, o que os homens dizem, como vencer, como lidar), 
Drogas, pais e filhos, questões políticas, questões sociais, conflitos emocionais, entre outras coisas. 
Se o catequista procurar estar esclarecido sobre os temas corriqueiros em nosso meio, nenhuma pergunta o surpreenderá. E nada mais normal que pesquisar e trazer algumas respostas no próximo encontro.    
 
IV - AFINIDADE LITERÁRIA

O conhecimento do catequista se baseia naquilo que ele lê. Esse conhecimento pode ser limitado, mas pode atingir proporções inesperadas se o catequista ousar adquirir as mais variadas informações das melhores fontes possíveis.

1 - Literatura:
- Brasileira (Ajuda a desenvolver a interpretação de texto, leitura e escrita).
- Romance policial (Ajuda a desenvolver o argumento e o raciocínio)
- Clássica (Ajuda a conhecer as épocas, entender os pensamentos religiosos e culturais).

2 - Filosofia:
- Clássica (Ajuda a compreender as questões da humanidade e as respostas fornecidas pelos filósofos gregos e de épocas).
-  Atual (Ajuda o catequista a descobrir qual o pensamento moderno e suas soluções mais atuais para os problemas humanos).

3 - Periódicos:
- Revistas de informações gerais (Trazem os acontecimentos e fatos que o catequista precisa conhecer). Revistas de informações específicas: Ciência, religião, curiosidades (Ajudam o catequista a conhecer questões interessantes que podem ajudar em seus temas).
- Jornais (Ajuda o catequista a estar por dentro da situação política, econômica e social da sociedade).  

4 - Teologia:
- Livros de teologia clássica (Lutero, Calvino, Santo Agostinho, entres outros)
- Teologias sistemáticas (É importante o catequista ter em casa livros de teologia sistemática de escritores diferentes)
- Livros devocionais (Ajudam no desenvolvimento da oração, devoção e louvor).

5 - Material de pesquisa:
- Enciclopédias (Teologia, cultural e informações gerais)
- Dicionários (Católico, latim, grego, hebraico e secular)
- Internet e suas múltiplas opções de aprendizado.

6 - Bíblias:
- De estudos diversas (Auxiliam o catequista com suas notas e estudos).

V – ARGUMENTAÇÃO

Argumentar é saber colocar as idéias a respeito de um determinado assunto, de maneira que se obtenha êxito naquilo que se está enfatizando. Mas para o catequista ter sucesso em seus argumentos, precisa de total conhecimento sobre o assunto que vai defender. O âmago da argumentação é a pergunta e a resposta, por isso, para desenvolver a argumentação nada melhor do que perguntar e em seguida responder ao tema do encontro.

VI - PSICOLOGIA DIDÁTICA  

1 - PSICOLOGIA APLICADA A SI MESMO (temperamento do catequista)
A - Manter o equilíbrio quando a opinião de alguém discorda do que está sendo ensinado.
B - Estar apto a responder a qualquer questão e não criar subterfúgios, não dar qualquer resposta por pura pressão.
C - Ser sincero com os seus catequizandos, se não consegue responder a alguma pergunta, tente pelo menos reconhecer isso e procure melhorar sua condição de catequista pedindo para numa próxima oportunidade dar sua resposta, a fim de evitar eventuais situações desconcertantes.     

2 - PSICOLOGIA APLICADA À TURMA
A - Saber passar lições de vida em cada encontro. O catequista precisa orientar bem os seus catequizandos a esse respeito. Na turma dos adolescentes, eles precisam extrair lições de vida, descobrir do catequista orientações que os ajude a vencer certas perturbações. Dessa forma, o catequista da turma dos casais precisa saber empregar lições de vida para os seus catequizandos: o valor da família, moralidade, e assim por diante. O catequista de cada tipo de turma na catequese precisa saber direcionar seu tema para aplicações na vida pessoal de cada um.   

B - Saber passar lições espirituais. É necessário que o catequizando/a não só conheça as histórias bíblicas no encontro, mas que o aproveitamento seja realmente prático. Um dos objetivos da catequese é exatamente este: crescimento espiritual. Um catequizando/a nunca pode voltar para casa insatisfeito com as respostas dadas pelo catequista, pelo contrário, em cada encontro, o catequizando/a deve se sentir satisfeito por confiar na palavra do catequista, pois está certo de que ele tem noção do que está falando.   

VII - CRIATIVIDADE              

Ser criativo significa ter idéias e projetos audaciosos. Se o catequista não é tão criativo ele pode recorrer a outros catequistas e compartilhar de suas idéias. Ser criativo envolve:  

1 - ATUALIZAR A TURMA COM INFORMAÇÕES DO MEIO CATÓLICO E SECULAR.            
Para que isso aconteça, o catequista deve estar a par dos acontecimentos nacionais e internacionais. É importante que o tema não se detenha apenas ao seu conteúdo, mas atinja, através do catequista uma dimensão bem pessoal da vida do catequizando/a. (Jornal de TV é um resumo bem interessante de notícias atuais)  

2 - LEVAR O CATEQUIZANDO/A A PARTICIPAR ATIVAMENTE DOS ENCONTROS.            
O grande problema de certos catequistas é que somente ele se acha responsável pelo encontro, mas se mudar de idéia e começar a perceber que deve interagir com o/a catequizando/a nas encontros, aí o resultado será óbvio, o sucesso! A maneira de se eliminar conversas paralelas e dúvidas na turma é ganhar a confiança do/a catequizando/a que precisa respeitar o catequista, mas, também precisa ter liberdade para participar. 

3 - CRIAR DINÂMICAS.            

Hoje em dia está muito fácil de se criar dinâmicas no encontro, o catequista só precisa ter humildade para buscar recursos externos como, navegar na internet, pedir idéias a outras pessoas, ou conversar com os catequizandos. O certo é que dinâmicas tornam as encontros mais envolventes e além de garantirem a participação do/a catequizando/a, sempre o mantém satisfeito, pois o ensino lhe é fixado na memória.        

Adaptado Flávio.

domingo, 2 de janeiro de 2011

Planejamento

A imagem que muita gente tem de planejamento é de um sistema burocrático de planos, de muito papel, muitas reuniões e muitos relatórios que substituem o contato direto das coordenações com as pessoas de base. Veja o caso histórico do colapso dramático dos países do bloco soviético, onde o sistema de planejamento centralizado criou uma classe de burocratas distantes da realidade e resistentes à participação do povo nas decisões. A própria Igreja, hoje em dia, corre o mesmo perigo em muitas de suas instâncias.

A metodologia de planejamento que será apresentada, pelo contrário, pretende combater e evitar erros de todo sistema burocrático. Falamos de PROCESSO DE PLANEJAMENTO e não simplesmente em planejamento ou plano. Entendemos aqui, planejamento não como sistema burocrático de fazer pastoral, mas como processo de tomada de decisões em conjunto. Entendemos o processo de planejamento como instrumento pedagógico que garante que a evangelização seja resposta às reais aspirações e necessidades dos fiéis e à realidade social em que estão inseridos.

É a maneira de evitar uma pastoral de princípios doutrinários apenas, abstratos e fora da história e incapazes de transformá-la. Trata-se de um meio eficaz de evitar desperdício de recursos humanos e financeiros, e garantir uma ação refletida e executada inteligentemente. O próprio Jesus acenou para a importância de planejar nossa ação evangelizadora: “Quem de vós, querendo edificar uma torre, antes não se senta para calcular os gastos, que são necessários, a fim de ver se tem com que acabá-la? Para que, depois que tiver lançado os alicerces, e não puder acabá-la, todos os que o virem não comecem a zombar dele, dizendo: Este homem principiou a edificar, mas não pode terminar”. Lc 14,28-30.

O que se pretende aqui é dar um basta à prática de uma “pastoral do chute” e do “tiro no escuro”, para canalizar a enorme força que o cristão tem na construção de um mundo novo; sonho do povo e que também é sonho de Deus. Neste trabalho de assessoria, consta-se a necessidade de apresentar caminhos para uma ação mais eficiente e eficaz. Trabalha-se muito... Há muita gente gastando generosamente suas vidas pelo Reino de Deus. Nem sempre, porém, sabemos canalizar todas estas forças de forma sistemática e multiplicadora. Daí vem o cansaço, o desânimo e o sentimento de não fazer nada ou de fazer muito pouco... O próprio documento de Puebla alerta: “Para realizar constantemente essas opções pastorais básicas de evangelização, o caminho prático é uma pastoral planejada”. Puebla 1306. Toda e qualquer ação nos leva a um compromisso; e todo compromisso não pode dispensar um “planejamento comunitário”. Podemos já estar habituados a planejar as nossas ações a cada ano. Sabemos planejar os nossos encontros, a nossas formações e algumas das nossas ações, porém o planejamento não é um ato isolado pelo qual se inicia um projeto, um plano, um calendário. Ele mistura reflexão, ação e vivência do que se planejou. Conseqüentemente, o planejamento deve ter sempre presente a revisão. Das etapas do planejamento (reflexão, montagem do plano, ação e revisão), a revisão é uma das etapas mais importantes.

AVALIAÇÃO

A avaliação é indispensável para qualquer processo que deva ser melhorado. Mas é preciso que se faça alguma coisa a partir da avaliação. Ela não é um ponto final de um ano de trabalho, de uma programação. Ela é plataforma de lançamento para um trabalho melhor. 
O grupo precisa conhecer os resultados da avaliação que faz, e decidir o que precisa mudar a partir do que foi constatado. Avaliar é verificar se os objetivos foram alcançados.
Quem avalia? Num processo participativo, é interessante ouvir o conjunto, não o coordenador sozinho nem o padre e sim o grupo que planejou e executou. A avaliação deve ser realista, confrontada com os objetivos.
O que se avalia? As conquistas, a eficiência, a qualidade, os resultados, as relações interpessoais. “Avaliação não é fecho de ouro” para encerrar nada. Feita a avaliação, é preciso que ela tenha conseqüências: se algo está errado, se há deficiências, alguma ação nova há de acontecer para sanar o problema.
Rever é tomar consciência hoje do que fizemos ontem para melhorar o agir de amanhã. É apresentar novos questionamentos, ajudar a tomar decisões, determinar o grau de eficácia e de eficiência de algo realizado.
Rever não é relacionar dados sem interpretação, valorizar fatos isolados e individuais, qualificar dados sem relacionar com outros mais importantes, analisar os resultados sem levar a novos compromissos.

PLANEJAMENTO


Planejamento é um processo de tomar decisões a respeito de um trabalho a ser feito.
Plano é o registro por escrito das decisões e pode ser modificado se precisar ser corrigidas decisões tomadas anteriormente.
Cronograma é uma listagem de ações a serem executadas com datas, prazos, agentes e destinatários.
Fica claro que não se pode apresentar o cronograma e dizer que está feito o planejamento. E planejamento também não se resume em fazer o plano. Ele envolve muita reflexão antes de se fazer o plano; ele continua refletindo sobre as ações à medida que elas são executadas e avalia constantemente o que está sendo feito. Ele é um processo que não tem fim.

Não se faz planejamento: só para ter um plano bonito; para constar do arquivo; para ter o que cobrar; para obrigar todos a trabalhar do mesmo jeito; para ficar proibido de criar coisas novas.

Faz-se planejamento: para trabalhar melhor; para não perder de vista os objetivos; para confrontar tudo que acontece com o objetivo a alcançar; para aproveitar melhor os recursos disponíveis; para evitar esforços inúteis ou duplicados; para entender com mais clareza o próprio trabalho; e principalmente, para nos tornarmos cada dia mais competente.

Refletir: Temos planejamento mesmo, ou só calendário de eventos? Que dificuldades encontramos para entrar num processo de planejamento?

No planejamento, a participação é um fator muito importante. Planejamento participativo sugere participação do grupo. O grupo planeja junto e dentro daquilo que é capaz de compreender, perceber e executar. Participação verdadeira dá muito trabalho, tanto para quem coordena como para o grupo inteiro. A participação real, efetiva, de todos, é muito importante por vários motivos:

- é necessidade humana e direito de todos;         - vale por si mesma, e não pelos resultados;
- desenvolve a consciência crítica;                      - promove a partilha do poder;
- participação se aprende participando.

Se todos esses argumentos não fossem suficientes, haveria ainda uma razão fundamental para não se abrir mão de um processo participativo, por mais trabalhoso que ele pareça ser: Quem não é capaz de participar do planejamento também não é capaz de executar o que foi planejado.
Planejamento participativo é um processo educativo. Temos apenas duas opções: ou gastamos tempo nos educando, crescendo, ou fazemos tudo rapidinho e ninguém aprende nada.

Programação: é hora de pensar na programação. Mas a programação tem que ser o jeito de correr atrás do objetivo, levando em conta os dados concretos da realidade. Para cada trabalho se define:

Roteiro para definir de maneira mais objetiva e clara o que se pretende:

Projeto à Nome do projeto
Objetivo à Objetivo geral e específico definido pela equipe
O que?  à Ação que se pretende à Idéia
Por que?  à Motivos à Justificativas
Para que? à Objetivos à Obj geral e específico
Quem? à Responsáveis à Autor e coordenador
Com quem? à Recursos Humanos à Equipe
Para quem? à Destinatários à Público alvo
Como? à Estratégias, metodologia à Meios/modo de realizar
Quando? à Data à Cronograma
Onde? à Local à Espaços
Quantoà Recursos materiais, financeiros à Custos
Também é preciso uma visão de conjunto das atividades de toda a comunidade, para evitar coincidência de eventos e acúmulos de tarefas para as mesmas pessoas.

Outra questão a ser resolvida na programação é a distribuição das tarefas e responsabilidades entre os membros. É necessário dar a cada um, autoridade correspondente à tarefa de que foi encarregado e pela qual será realmente responsável. É indispensável que isso seja feito com muita clareza, para que cada um saiba direitinho o que dele se espera. Trabalho que não tem dono acaba não sendo feito.

Um texto cômico ilustra bem essa idéia: Era uma vez, quatro pessoas simpáticas que se chamavam: TODOMUNDO, ALGUÉM, NINGUÉM e QUALQUER UM. Havia um trabalho que TODOMUNDO achava que era importante. NINGUÉM se ofereceu como voluntário na reunião, mas TODOMUNDO achou que QUALQUERUM ia dar conta do serviço. Depois, ALGUÉM reclamou porque NINGUÉM fez o que QUALQUERUM poderia ter feito. TODOMUNDO culpou ALGUÉM e a equipe ficou desanimada. Descobriram então que da próxima vez era melhor determinar ALGUÉM para cada tarefa porque TODOMUNDO percebeu que NINGUÉM acabava fazendo o trabalho que ficava para QUALQUERUM.

Conclusão: esse tal de planejamento participativo dá uma mão-de-obra! Mas como em quase todas as outras situações da vida, vale aquele ditado popular que ensina: O barato sai caro! Ou seja, fazer tudo pelo “facilitário”, sem investir na qualidade pode ser mais fácil em curto prazo, mas acaba gerando problemas crônicos que, no fim, acabam sendo pior. O mais difícil no planejamento participativo, é convencer as pessoas de que não compensa fazer abatimento na qualidade do trabalho e que é preciso parar de brincar de faz-de-conta numa atividade tão importante. É um processo de conversão: conversão para o respeito ao outro e para a verdade nas relações humanas e na qualidade do trabalho. Sempre vai haver quem prefira não mudar nada e continuar carregando ano após ano as mesmas queixas sobre o que não dá certo (de preferência, jogando a culpa nos outros). Mas confiamos na multidão que quer acertar e a estes tentamos prestar um pequeno serviço, oferecendo à sua reflexão este texto.