domingo, 25 de abril de 2010

Aborto: ” Questão de saúde pública ?” Descriminalizar é solução ou permissão “legal” para matar ?

É recorrente o argumento de que é preciso encontrar solução para o aborto, porque se trata de uma questão de saúde pública.
Não penso, entretanto, que a solução possa estar na chamada descriminalização, pois isso só faria agravar o problema, como vem ocorrendo em outros países.
Diz o Ministério da Saúde que acontecem no Brasil entre 1 e 1,5 milhão de abortos por ano. Escapa-me como pode ser feita essa estatística, tratando-se de prática clandestina, mas tomemos a afirmativa como verdadeira.
Uma prática que ceifa 1,5 milhão de vidas por ano é, certamente, grande problema de saúde pública. Nenhuma doença tem números tão altos. No Brasil e no mundo, o aborto é hoje a maior causa mortis. Não entra nas estatísticas, já que a criança não nascida não é registrada, não tem nome nem atestado de óbito, mas a falta de registro não muda o fato de que ela viveu – por maior ou menor tempo – e morreu, deixando uma história gravada na memória de seus pais e de outras pessoas. Essas existências truncadas trazem grande ônus social, ao qual pouca atenção se presta.
O aborto também traz grandes males, físicos e psíquicos, para a mulher que aborta. Permitam-me uma comparação um pouco chocante, mas ilustrativa. Dados os males provocados pelo fumo, em alguns lugares proíbe-se fumar. Há quem concorde e quem discorde, quem obedeça ou desobedeça. O pulmão do fumante, entretanto, não distingue entre o cigarro legal e o ilegal.
No caso do aborto, a legalização evitaria algumas complicações decorrentes das condições da prática clandestina.
Entretanto, os principais efeitos nocivos do aborto continuariam a ocorrer, como se pode demonstrar com os dados obtidos em países nos quais a prática não é considerada crime na legislação vigente.
Nesse caso não se trata de suposições e extrapolações, mas de estudos científicos publicados em revistas médicas.
Nos Estados Unidos, mulheres que se submeteram ao aborto provocado apresentam, em relação às que nunca fizeram um aborto: 250% mais necessidade de hospitalização psiquiátrica; 138% a mais de quadros depressivos; 60% a mais quadros de estresse pós-trauma; sete vezes mais tendências suicidas; 30 a 50% mais quadros de disfunção sexual.
Além disso, entre as mulheres que fizeram um aborto, 25% exigem acompanhamento psiquiátrico em longo prazo.
Em dezembro do ano passado o British Journal of Psichiatry publicou pesquisas realizadas na Nova Zelândia, que mostraram existir 30% mais problemas mentais em mulheres que fizeram aborto induzido.
O coordenador do trabalho, dr. David Fergusson, admite que era favorável ao aborto por livre escolha, mas que estava repensando a sua posição em função dos resultados obtidos.
Outro dado preocupante é que a legalização acaba por aumentar significativamente o número de abortos. A Espanha traz-nos um exemplo expressivo.
Em 2008, o editorial do jornal El País comentou que há na Espanha “demasiados abortos”. Entre 1997 e 2007, o número de abortos mais que dobrou. Entre 2006 e 2007, houve incremento de 10%. Além disso, uma em cada três mulheres que abortaram em 2007 já haviam abortado anteriormente, uma ou mais vezes. Isso demonstra a banalização da prática. El País comenta que o aborto é “percebido por muitos jovens como um método anticoncepcional de emergência, quando é uma intervenção agressiva que pode deixar sequelas físicas e psicológicas”.
Sobre as sequelas psicológicas, já comentei acima. Sobre as físicas, há estudos que mostram maior risco de doenças circulatórias, doenças cérebro-vasculares, complicações hepáticas e câncer de mama. A gravidez posterior também fica comprometida, com maior incidência de placenta prévia, parto prematuro, aborto espontâneo e esterilidade permanente.
A solução não está em facilitar o aborto, legalizando-o, mas, pelo contrário, em inibi-lo. Manter a legislação vigente, acabar com a impunidade das clínicas e da venda clandestina de abortivos e, principalmente, fazer um trabalho educativo de valorização da vida.
LENISE GARCIA: DOUTORA EM MICROBILOGIA , PROFESSORA DO DEPARTAMENTO DE BIOLOGIA CELULAR DA UNB, PRESIDENTE DO MOVIMENTO NACIONAL DA CIDADE PELA VIDA.
Postagem tirada do blog http://www.comshalom.org/blog/carmadelio/ 

domingo, 18 de abril de 2010

A inclusão que funciona

Mais do que criar condições para os deficientes, a inclusão é um desafio que implica mudar a catequese como um todo, no projeto pedagógico, na postura diante dos catequizandos, na filosofia...
Valorizar as peculiaridades de cada catequizando, atender a todos na catequese, incorporar a diversidade, sem nenhum tipo de distinção. Nunca o tema da inclusão de crianças deficientes esteve tão presente no dia-a-dia da comunidade — e isso é uma ótima notícia. Tal qual um caleidoscópio, que forma imagens com pedras de vários tamanhos, cores e formas, cada vez mais catequistas estão percebendo que as diferenças não só devem ser aceitas, mas também acolhidas como subsídio para montar (ou completar) o cenário catequético. E não se trata apenas de admitir esses meninos e essas meninas — isso nada mais é do que cumprir a lei. O que realmente vale (e, felizmente, muitos estão fazendo) é oferecer serviços complementares, adotar práticas criativas, adaptar o projeto pedagógico, rever posturas e construir uma nova filosofia educativa.
Mudar é difícil, mas compensa
Essa mudança é simples? É claro que não. Na verdade, ainda é difícil encontrar catequistas que afirmem estarem preparados para receber no grupo, um catequizando deficiente. A inclusão é um processo cheio de imprevistos, sem fórmulas prontas e que exige aperfeiçoamento constante. Do ponto de vista burocrático, cabe a coordenação buscar orientação e suporte das associações de assistência e das autoridades médicas e educacionais sempre que a inclusão de um deficiente é solicitada. Do ponto de vista pedagógico, a construção desse modelo implica transformar a catequese, no que diz respeito ao conteúdo, à avaliação e, principalmente, às atitudes. Não podemos continuar segregando essas crianças em turmas especiais, que oferecem uma catequese pouco estimulante. Quem enfrenta o desafio garante: quando a catequese muda de verdade, melhora muito, pois passa a acolher melhor todos os catequizandos (até os considerados "normais").

Cuidados diferentes para cada deficiência
Na educação inclusiva não se espera que a pessoa com deficiência se adapte à catequese, mas que esta se transforme de forma a possibilitar a inserção daquela. Para isso, algumas orientações são úteis. As que estão a seguir mesclam informações do kit Escola Viva, criado pelo MEC em conjunto com a associação Sorri Brasil
(Auditiva) 
Sempre fale de frente
A instituição ou comunidade precisa providenciar um instrutor para a criança que não conhece a Língua Brasileira de Sinais (Libras), mas cujos pais tenham optado pelo uso dessa forma de comunicação. Esse profissional deve estar disponível para ensinar os catequistas e as demais crianças. O ideal é ter também fonoaudiólogos disponíveis.
Sugestões:
1-
Consiga junto ao médico do catequizando informações sobre o funcionamento e a potência do aparelho auditivo que ele usa.
2- Garanta que ele possa ver, do lugar onde estiver sentado, seus lábios. Ou seja, nunca fale de costas para a turma.
3- Solicite que o catequizando repita suas instruções para se certificar de que a proposta foi compreendida.
4- Use representações gráficas para introduzir conceitos novos.
5- Oriente o restante da turma a falar sempre de frente para o deficiente.

(Visual) 
Material específico
A catequese deve solicitar o material didático necessário — regletes (régua para escrever em braille) e soroban —, além da presença de um profissional para ensinar a criança cega, os colegas e os catequistas a ler e escrever em braille. O deficiente deve contar com tratamento oftalmológico e receber, na rede ou em instituições especializadas, instruções sobre mobilidade e locomoção nas ruas. Deve também conhecer e aprender a utilizar ferramentas de comunicação, como sintetizadores de voz que possibilitam ao cego escrever e ler via computador. Em termos de acessibilidade, o ideal é colocar cercados no chão, abaixo dos extintores de incêndio, e instalar corrimão nas escadas.
Sugestões:
1-
Pergunte ao catequizando e à família quais são as possibilidades e necessidades dele.
2- A melhor maneira de guiar o cego é oferecer-lhe o braço flexionado, de forma que ele possa segurá-lo pelo cotovelo.
3- Descreva os ambientes com detalhes e não mude os móveis de lugar com freqüência. Os recursos didáticos aconselhados são: lupa, livro falado e materiais desportivos como bola de guizo.
4- Busque na turma colegas dispostos a ajudá-lo.
5- Substitua explicações com gestos por atividades em que o deficiente se movimente.
(Física) 
Adaptar os espaços
Toda catequese precisa eliminar as barreiras arquitetônicas, mesmo que não tenha jovens com deficiências. As adaptações do edifício incluem: rampas de acesso, instalação de barras de apoio e alargamento das portas. No caso de haver deficientes físicos nas turmas, a modelagem do mobiliário deve levar em conta as características deles. Entre os materiais de apoio pedagógico necessários estão pranchas ou presilhas para prender o papel na carteira, suporte para lápis, e outros recursos.
Sugestões:
1-
Pergunte ao catequizando e à família que tipo de ajuda ele precisa, se toma medicamentos, se tem horário específico para ir ao banheiro, se tem crises e que procedimento adotar se isso ocorrer.
2- Aqueles que andam em cadeira de rodas precisam mudar constantemente de posição para evitar cansaço e desconforto.
3- Informe-se sobre a postura adequada do catequizando, tanto em pé quanto sentado, e garanta que ele não fuja dela.
4- Se necessário, fixe as folhas de papel na carteira usando fita adesiva. Os lápis podem ser engrossados com esparadrapo para auxiliá-lo na escrita, caso ele tenha pouca força muscular.
5- Ouça com paciência quem tem comprometimento da fala e não termine as frases por ele.
(Mental) 
Tarefas individuais os deficientes mentais têm dificuldade para operar as idéias de forma abstrata. Como não há um perfil único, é necessário um acompanhamento individual e contínuo, tanto da família como do corpo médico. As deficiências não podem ser medidas e definidas genericamente. Há que levar em conta a situação atual da pessoa, ou seja, a condição que resulta da interação entre as características do indivíduo e as do ambiente. Informe-se sobre as especificidades e os instrumentos adequados para fazer com que o jovem encontre na escola um ambiente agradável, sem discriminação e capaz de proporcionar um aprendizado efetivo, tanto do ponto de vista educativo quanto do social.
Sugestões:
1-
Posicione o catequizando, de forma que você possa estar sempre atento a ele.
2- Estimule o desenvolvimento de habilidades interpessoais e ensine-o a pedir instruções e solicitar ajuda.
3- Trate-o de acordo com a faixa etária.
4- Só adapte os conteúdos depois de cuidadosa avaliação de uma equipe de apoio multiprofissional.
5- Avalie a criança pelo progresso individual e com base em seus talentos e suas habilidades naturais, sem compará-la com a turma.
Flávio – Adaptado

Encontro sobre Pentecostes para usar no seu grupo catequético

Durante 40 dias Jesus continuou aparecendo. Deu suas últimas recomendações aos apóstolos e discípulos. Explicou a todos que já havia cumprido sua tarefa aqui na terra. Pediu aos amigos para ficarem em Jerusalém até o dia em que mandaria ao coração deles o ESPÍRITO SANTO. A igreja comemora, no dia de Pentecostes – 50 dias depois da Páscoa – a vinda do Espírito Santo. Para os cristãos, no dia de Pentecostes, a Igreja, novo Povo de Deus, com a qual Jesus fez nova aliança, foi manifestada ao mundo inteiro. Neste dia o Espírito Santo escreve a nova lei, não mais nas tábuas de pedra, mas sim nos nossos corações.

Refletir em grupo:

Você sabe quem é o Espírito Santo? Anote abaixo o que ele faz?
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ORAR E MEMORIZAR:

VINDE, ESPÍRITO SANTO, ENCHEI OS CORAÇÕES DOS VOSSOS FIÉIS E ACENDEI NELES O FOGO DO VOSSO AMOR!. ENVIAI O VOSSO EPÍRITO E TUDO SERÁ CRIADO E RENOVAREIS A FACE DA TERRA. OREMOS: Ó DEUS QUE INSTRUÍSTES OS CORAÇÕES DOS VOSSOS FIÉIS COM A LUZ DO ESPÍRITO SANTO, FAZEI QUE APRECIEMOS RETAMENTE TODAS AS COISAS SEGUNDO O MESMO ESPÍRITO E GOZEMOS SEMPRE DE SUA CONSOLAÇÀO, POR CRISTO NOSSO SENHOR. AMÉM!


Para casa:

Seus pais vão ler para você dois textos da Bíblia sobre o tema e ajudar nas respostas abaixo.
-> Atos dos Apóstolos, capítulo 1, versículo de 4 a 14
-> Atos dos Apóstolos, capítulo 2, versículo de 1 a 13

1) Do que trata o trecho lido do capítulo 1 ? ______________________________________________________
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2) E o trecho do capítulo 2 ?
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3) Depois que os discípulos voltaram para Jerusalém, como eles perseveravam:
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4) O que houve quando chegou o dia de Pentecostes ?
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5) Quando nós nos reunimos para rezar?
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Fonte: Flávio Ronconi de Oliveira

Carl Jung

"A base dessa terapia Junguiana é um diálogo constante entre o ego consciente e inconsciente. O ego é a nossa parte consciente: é o que eu sei; o que conheço de mim; o que me lembro; o que sei que desejo. O ego inconsciente é: o que desconheço de mim, ou que esqueci; tudo o que sinto sem perceber; desejos desconhecidos; aspectos da personalidade que não reconheço; o que está fora da consciência, mas que existe dentro de mim"


Descrever um processo terapêutico de uma maneira adequada é difícil, mas dá para se mostrar uma parte das finalidades a que ele se propõe .

A melhor maneira de saber o que é uma terapia, é passando por ela.

Começando pelo setting terapêutico, na abordagem junguiana, analista e paciente sentam-se frente a frente.

Jung aboliu o divã, porque achava necessário um confronto direto e pessoal.

Jung aconselhou o analista a estudar o máximo e aprender tudo que puder, e a esquecer tudo quando encarar o paciente.

Ele dizia que os analistas devem estar abertos para aprender e para se adaptar “ao que vem ao seu encontro”.

Ele também diz que todas as abordagens são corretas e devem ser aplicadas e tentadas para o bem do paciente.

Todo o conhecimento do analista deve ser usado sem preconceitos.

A base dessa terapia é um diálogo constante entre o ego consciente e inconsciente. O ego é a nossa parte consciente: é o que eu sei; o que conheço de mim; o que me lembro; o que sei que desejo. O ego inconsciente é: o que desconheço de mim, ou o que esqueci; tudo o que sinto sem perceber; desejos desconhecidos; aspectos da personalidade que não reconheço; o que está fora da consciência, mas que existe dentro de mim.
Abaixo, explicarei por que o terapeuta deve ter o máximo de conhecimento não só de psicologia, mas de literatura, artes, música, mitologia e religiões.
Por que terapia junguiana não realiza um processo de cura?
"A terapia não é uma cura, pois não consideramos o paciente um doente, ele apenas não teve acesso às suas potencialidades, e essas não sendo reconhecidas, podem influenciar negativamente sua vida cotidiana"
Acima falei sobre a base da terapia junguiana e por que Jung aboliu o divã. Agora vou me aprofundar um pouco no "processo de cura" dessa terapia.
Bem... não é o que o analista acha ou sua filosofia de vida que deve ser passada ao cliente, nem mesmo o que ele considera certo ou normal.

Jung acreditava que a psique (mente) tem potencial para a cura, e que seguindo o inconsciente através dos sonhos, símbolos, criações artísticas teríamos o caminho para a cura.

Por isso, o terapeuta deve ter o máximo de conhecimento não só de psicologia mas de literatura, artes, música, mitologia, religiões. Esse conhecimento geral vai ajudá-lo a entender melhor os símbolos e a psique de seu paciente.

Para isso ele pode usar várias técnicas que ajudarão no processo de tornar conteúdos desconhecidos conscientes.

Exemplos dessas técnicas são: imaginação ativa, interpretação de sonhos, fantoches, caixa de areia, pintura, expressão corporal e muito mais. No desenvolvimento desta coluna em textos posteriores explicarei cada uma delas.

Quem procura terapia geralmente atribui seus problemas, neuroses e infelicidade aos acasos da vida ou ao próximo - quanto mais próximo, melhor.

É função do terapeuta auxiliar a pessoa a reconhecer sua responsabilidade nos problemas que enfrenta. Para isso ele aponta a trave no olho, ao invés de ver o cisco no olho do vizinho.

O processo terapêutico auxilia a pessoa a entrar em contato consigo mesma, para desenvolver seu potencial criativo.

Não precisamos ficar doentes ou com problemas para procurarmos terapia. Ao contrário, deveríamos iniciá-la quando estamos bem, para termos mais força e reagirmos com mais equilíbrio frente aos problemas que temos de enfrentar.

A terapia não é uma cura, pois não consideramos o paciente um doente, ele apenas não teve acesso às suas potencialidades, e essas não sendo reconhecidas, podem influenciar negativamente sua vida cotidiana.

A terapia de abordagem junguiana tem como foco principal ligar aspectos inconscientes da personalidade ao ser consciente. Alcançando essa meta, seremos transformados através do processo que Jung chamou de “individuação”, unificando a personalidade e tornando-se consciente como individuo único e integro no mundo.
Como o complexo reflete nas suas atitudes.
"Ao se referir a alguém como autoritário, deve-se inverter. Ao invés de dizer, fulano é autoritário”, dizer: “ Eu sou autoritário” ou “Meu complexo é autoritário”. Assim, iremos tocar direto no complexo e diminuiremos sua força, já que traremos para o consciente algo que está escondido e nos faz perder a cabeça"
Acima, expliquei por que a terapia junguiana não realiza um processo de cura. Agora vou dar sequência ao processo terapêutico desenvolvido por Jung abordando os complexos.
O complexo é um conjunto energético estrutural da psique (mente) formado por imagens, lembranças, fantasias e ideias; nome dado ao que se torna confuso, complicado e intrincado.
Na nossa personalidade existem vários complexos, vários núcleos complicados que são acessados através das emoções, sonhos e imaginações. Podemos reconhecer alguns deles e saber quando aparecem. Outros são tão escondidos e disfarçados que nem temos ideia que existam. Para Jung, o complexo é “a via régia (o caminho) para o inconsciente”.

São muito conhecidos os complexos de inferioridade e de culpa. Mas existem outros, como por exemplo, o de autoridade.

É o caso de uma pessoa que tem problemas com autoridade, não aceita patrões e nem disciplina. Qualquer pessoa que lhe diga o que fazer ou que queira liderá-lo, é imediatamente descartada por ser “mandona”, “autoritária” e “inflexível”. Em geral, quem sofre desse complexo pode entrar em conflito, perder a cabeça e acabar dizendo o que não queria.

Qualquer insinuação ou palavra, mesmo que de leve, lembre autoridade, faz com que essa pessoa aja de modo destrutivo, perdendo cargos ou trabalho. Esse indivíduo sempre põe a culpa nos outros.
Em resumo, numa linguagem leiga essa pessoa tem um “complexo de autoridade”. Assim projeta nos outros sua própria autoridade interna e não reconhecida. Trata-se de um autoritário que não exerce sua autoridade. Mas quando exercida, é sempre de modo agressivo, tomado pelo complexo.
Sempre que um complexo nos domina agimos de forma inadequada e depois nos arrependemos.

Durante a terapia temos que abordar esse e outros complexos que irão aparecer nos sonhos, nos relacionamentos...

O doutor Edward Whitmont analista membro do Centro de Treinamento C.G.Jung de Nova York sugere:
Ao se referir a alguém como autoritário, deve-se inverter. Ao invés de dizer, fulano é autoritário”, dizer: “ Eu sou autoritário” ou “Meu complexo é autoritário”. Assim, iremos tocar direto no complexo e diminuiremos sua força, já que traremos para o consciente algo que está escondido e nos faz perder a cabeça. Sempre que a perdemos, o complexo está atuando e nos dominando. Quanto mais inconsciente, mais força esse complexo tem. Segundo Jung, “não temos um complexo , é ele é que nos tem” é autônomo, e não conseguimos controlá-lo.

O complexo não é só negativo. Muitos complexos são positivos e afetam nossa criatividade e nosso desenvolvimento psíquico.

Quando alguém nos fascina, nos atrai, quando uma pessoa ou ideia nos apaixona, também é um complexo que vem à tona. Pode ser algum potencial positivo que não desenvolvemos e está presente no outro e assim nos fascina. O potencial positivo nos atrai e o potencial negativo nos irrita.

domingo, 11 de abril de 2010

Misericórdia



Eterna é a misericórdia do Senhor.
Hoje é o momento oportuno para refletir sobre a Misericórdia de Deus e as nossas Obras de Misericórdia.







Obras de misericórdia corporais
1-Dar de comer aos famintos
2-Dar de beber aos sedentos
3-Vestir os nus
4-Acolher os peregrinos
5-Visitar os enfermos
6-Visitar os encarcerados
7-Sepultar os mortos


Obras de misericórdia espirituais
1-Aconselhar os duvidosos
2-Ensinar os ignorantes
3-Admoestar os pecadores
4-Consolar os aflitos
5-Perdoar as ofensas
6-Suportar pacientemente as pessoas incomodas
7-Rezar a Deus pelos vivos e pelos mortos


Corporal Works of Mercy
1-To Feed the Hungry
2-To Give Drink to the Thirsty
3-To Clothe the Naked
4-To Shelter the Homeless
5-To Visit the Sick
6-To Ransom Captives
7-To Bury the Dead


Spiritual Works of Mercy
1-To Instruct the Ignorant
2-To Counsel the Doubtful
3-To Admonish Sinners
4-To Bear Wrongs Patiently
5-To Forgive Others Willingly
6-To Comfort the Afflicted
7-To Pray for the Living & the Dead

sábado, 3 de abril de 2010

A arte de ensinar - Flávio


Todo catequista e educador deve estar atento a estas dicas, veja a seguir:

- estar preparado para toda boa obra II Tm 2,21, ser entusiasmado, vibrante, sincero, ser criativo e ter visão do trabalho de Deus; ser responsável em tudo, ser pontual - sempre chega cedo para receber os catequizandos;

- ser um instrumento de sociabilização (brincadeiras, dinâmicas);

- ter unidade com os irmãos (antes de ensinar a ser comunidade, vive comunidade);

- ser atualizado, e estar consciente que o catequizando deve aprender fazendo;

- estar pronto para ouvir sugestões e idéias de outros, estudar, se preparar e se preocupar com os catequizandos;

- dar ensino interessante, valioso e eficaz, conhecendo as 3 leis abaixo:
1. Lei do desenvolvimento - do conhecido se chega ao desconhecido
2. Lei do Exercício - aprender fazendo
3. Lei do Efeito - elogiar sempre, dar detalhes interessantes, entusiasmo, lugar alegre e feliz

É preciso conhecer o concreto para chegar ao abstrato

Se grava ou retém uma idéia, através dos sentidos, veja a percentagem a seguir:
75% - vê (visão)
13% - ouve (audição) 
06% - sente, pega (tato)
03% - gosto (paladar) 
03% - Cheiro (olfato)
Nada melhor do que VISUAIS, a visão é mais eficiente:
25 vezes + que o olfato, 25 vezes _ que o gosto, 12,5 vezes + que o tato e 5,7 vezes + que a audição 

É preciso investir nos visuais (data show se possível) para um ensino eficiente: “O Senhor me respondeu, e disse: Escreve a visão, grava-a sobre tábuas, para que a possa ler até quem passa correndo” Habacuc 2,2.

O Catequista precisa controlar seu falar para que o momento seja do catequizando. Fala-se pouco e faz-se muito. 
DESENHOS
O desenho é poderoso para dar sentido mais objetivo, desenhe em cartolina, sulfite, flip ou quadro ou use o data show.

ORAÇÃO
O período de oração deve ser solene, mas faça um momento agradável, com voz audível, como conversar entre amigos”. Jesus é o melhor amigo. Não faça oração inicial e final, mas o “Momento de Oração” .

MÚSICA
Todos gostam de cantar e cantam em toda parte. Os cânticos devem ser próprios para a idade.

PREPARANDO O TEMA (no grupo de catequista e individualmente)
1. Orar pelos catequizandos, pela catequese, pela preparação e apresentação do tema, etc.
2. Estudar - separar um horário, preparar cada tema, pesquisar, ler a bíblia, utilizar folhetos, manuais, livros, etc.
3. Entregar-se ao tema – interagir: fé com vida
4. Método / Esquema
Objetivo
• Define-se o que se pretende alcançar em uma ou duas frases curtas
• O que queremos atingir com este encontro?Aonde queremos chegar?
• Para que estamos fazendo esta reflexão?
• Desenvolvimento: ver,julgar,agir e celebrar
Ver: momento de olhar a vida (realidade, acontecimento, fato, situação...) 
• Descobrir valores e contra valores: o que pensa o grupo, quais as causas do que está acontecendo, quais fatos estão ligados a esta situação (não chegar a conclusões, isto será só depois do julgar) 

Julgar: momento da Palavra de Deus na Bíblia e a palavra da Igreja
• Analisar a luz da fé, a mensagem de Jesus Cristo a ser vivida pelos cristãos;
• Julgar pela Bíblia (iluminar, confrontar a realidade com o modelo apresentado por Deus);
• Olhar o fato levantado no Ver e com os olhos de Deus(bíblia) discernir quais os valores a confirmar e quais os contra-valores a repudiar (textos bem preparados)

Agir: o que fazer?
• O encontro com Jesus leva à identificação com Ele. Logo precisa-se partir para ações concretas;
• Descobrir: O que mudar? O que confirmar? O que purificar? Como descobrir a presença de Deus, dentro de tudo o que refletimos da realidade?
• Celebrar: Uma boa catequese desabrocha na oração. Trata-se de orar o que aconteceu no encontro;
• Oração expressa nos mais diversos jeitos e usando símbolos, cantos variados e adequados ao tema

Rever: todo encontro precisa de constante renovação
• O tema da catequese não é assunto pronto nem acabado e se faz necessário uma constante avaliação;

Modelo de encontro Interagindo Fé e Vida – Tema: Eu como pessoa 
A- Objetivo - Despertar nos catequizandos que cada pessoa é dotada de capacidades, talentos e dons, ajudando a descobrir-se como pessoa relacionando com o outro e com Deus
B- Motivação/Dinâmica - procurar conhecer cada um, usando dinâmicas que favoreçam o relacionamento entre si e os outros membros do grupo.
C- Palavra - Ef 1,3-6 Conclui-se a reflexão, mostrando que Deus nos escolheu, nos ama e não faz distinção de pessoas. Assim deve ser também nossa atitude.
D- Celebração
- Símbolos: crucifixo, bíblia, vela (observando os símbolos, interrogar sobre o que significam).
- A seguir, pedir para que todos escrevam uma oração de agradecimento por sermos irmãos uns dos outros, “filhos” de Deus.
E- Atividade - Ler Jr 1,4-8 e copiar a frase que mais gostaram.
F- Compromisso - Durante a semana ajudar o próximo (contar o que fez no próximo encontro).
- Participar de celebrações da comunidade e trazer para o próximo encontro a mensagem de vida da celebração.

Modelo de encontro Ver/Julgar/Celebrar e Agir – Tema: Deus é Pai e Mãe 
- Criar um bom ambiente. Dar as boas-vindas e deixar todos à vontade. - Canto ou oração.
UM FATO DA VIDA QUE FAZ PENSAR
A Bíblia traz a mensagem de Deus para as pessoas. Ele tem falado em todas as épocas e de diversas maneiras: pelos fatos da vida do povo de Deus, por atitudes humanas e pessoalmente, em Jesus Cristo. Olhando para o desenho ao lado vamos refletir:
- Para que serve ler a Bíblia? - De que forma Deus nos fala hoje?
UM TEXTO DA BÍBLIA QUE ILUMINA A VIDA
Preparação: Preparar o ambiente para a leitura da Palavra de Deus. Um canto, um gesto.
Introdução à leitura do texto: Deus nos fala por que quer fazer amizade conosco. Ele quer ficar perto de nós, ajudando quando necessário.
Leitura lenta e atenta do texto: Mc 3,34; Is 49, 14; Lc 18,11
Momento de silêncio.Perguntas para a reflexão: 1) Muitos se acham filhos privilegiados de Deus, mais abençoados que outros. Será que isso é possível? 2) Mas, se entre os filhos houver um que necessite mais de seus cuidados, a mãe se dedica mais a esse, mesmo sem descuidar dos outros? Por isso dizemos que Deus faz opção pelos pobres e excluídos.
CELEBRAR E PARTILHAR - A VIDA EM FORMA DE ORAÇÃO
Sugestões para a celebração: 1) Colocar em forma de prece tudo aquilo que refletimos sobre a Palavra de Deus e sobre a nossa vida. Como refrão, após cada prece, dizer: "Obrigado, Senhor, por cuidar de nós.
VOLTAR PARA CASA E TESTEMUNHAR A VIDA NOVA
Formular um compromisso: A medida que a gente se empenha na construção de um mundo melhor, vai percebendo os sinais da presença de Deus em nosso meio. Com um gesto concreto, vamos fortalecer nossa esperança no Deus da Justiça e da Vida. (combinar uma ação concreta)
Terminar o encontro com a oração do Pai-nosso, na fórmula ecumênica, como segue:

Pai nosso, que estás nos céus, Santificado seja teu nome, 
Venha o teu Reino, Seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu.
O Pão Nosso de cada dia nos dá hoje, Perdoa-nos as nossas ofensas,
Assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido, 
E não nos deixes cair em tentação, 
Mas livra-nos do mal, 
Pois teu é o Reino, o poder e a glória para sempre. Amém!

A criança na catequese


Toda catequese é uma caminhada com objetivo de educar a fé no Deus de Jesus Cristo. Essa caminhada não se dá de forma idêntica em todo tempo, lugar ou cultura. 


0 a 2 anos - A descoberta do mundo
Comportamentos próprios: sugar, olhar. Novas habilidades: pegar, sentar, andar, falar... Ela percebe que o mundo existe de forma independente dela e descobre as 1ªs regras do jogo da vida e aprende a usá-las. Aprende a amar sendo amada. Batismo: começo de um processo que durará a vida toda.


2 a 7 anos - Descoberta da linguagem
Desenvolve a capacidade de expressar suas idéias. Rápido crescimento intelectual. Fase do “porque”. Vê o mundo cheio de símbolos. Começa a perceber a existência de outras pessoas. O Catequista deve usar estímulo à imaginação como histórias, encenação, teatro de fantoches e desenho animado, brinquedos, bonecos, panos coloridos, fantasias. O que importa não é o conteúdo teórico da fé, mas a experiência concreta do afeto, da alegria e da presença de Deus.


7 a 11 anos - Descoberta do outro
Capacidade de refletir sobre a realidade e agir de forma autônoma. Vontade (que ajuda a fazer planos e a resolver conflitos). Descobre que os outros também têm suas formas de ver o mundo e de agir nele. Capaz de trabalhar em grupo e cooperar com os outros (honestidade, respeito mútuo e companheirismo). O ponto central da catequese é o seguimento de Jesus de Nazaré, vivenciado na comunidade. Não é mera repetição de fórmula, mas sim a formação progressiva do senso moral, baseado nos valores do Reino e vivenciado nas relações familiares, comunitárias e sociais. Quanto a disciplina, não exagerar. Normas nunca acima da justiça, tolerância e solidariedade.

Para refletir:


1) Com qual idade encontram-se os catequizandos de sua comunidade, em sua maioria?
2) Quais as principais dificuldades em trabalhar com crianças?
3)Que orientações temos dado às famílias, para que possam assumir conscientemente seu papel de educadoras da fé?
4) Como temos ajudado as famílias na catequese das crianças até 7 anos? 
5) Que atividades concretas estão sendo realizadas no ambiente comunitário com essas crianças?
6) Leiam Lc 18,15-17 e reflitam: que lugar as crianças têm ocupado na comunidade: de membros efetivos ou apenas “alunos de catecismo”? Como valorizar a presença e participação delas?

Adaptado: Flávio.

Chamados ou voluntários


Todos nós, que estamos no serviço da Igreja (não importando qual seja o movimento) somos os “chamados” por Deus (Jo 15,16). Portanto, o que vamos abordar não se trata, necessariamente do chamado para o trabalho, mas do chamado para o ministério. Se estamos no ministério certo, ou se ainda não encontramos o nosso espaço, ou seja, o ministério que Deus tem para nós (e não o que nós queremos), é ponto para reflexão. Na maioria das vezes, estamos tão preocupados com o “fazer algo para o Reino”, que esquecemos de saber o que fazer, e corremos o risco de fazer algo que não era necessariamente prioritário ou, até mesmo, necessário.

O primeiro chamado nosso é para amar e deixar-nos amar por Deus. Deus, primeiramente, quer trabalhar em nossas vidas e não necessariamente que nós trabalhemos para Ele. Temos invertido muito a ordem natural dos fatos, o que provoca muita insegurança quanto ao ministério, pois, na pressa de realizar algo, acabamos agindo com muita emoção. Portanto, o que vamos analisar é: se estamos ou não no trabalho que Deus quer para nós.

Se analisarmos a vida de Saul e de Moisés, vamos encontrar pontos divergentes que nos auxiliará na construção do perfil de uma pessoa realizada em seu ministério (Moisés - “chamado”), e de uma outra pessoa que não se encontrou dentro do “Plano de Deus” (Saul – “voluntário”) – o que não implica que Saul, como “voluntário”, não tivesse sido escolhido por Deus, mas sim, que não soube discernir qual a missão de Deus para ele.   

Observação: em grupos

SAUL

-          Como Saul chegou a Rei?  1Sm 8,5: “Dá-nos um rei que nos governe...

-          Qual foi a motivação do povo para pedir um rei?  1Sm 8,7: “Não é a ti que eles rejeitam, mas a mim, pois já não querem que eu reine sobre eles”. A motivação do povo é: primeiro, ter um rei como todos os povos; segundo, não querer aceitar a realeza de Deus sobre eles. Portanto, Saul vai ser rei baseado nas motivações humanas: o povo queria um rei.

MOISÉS

-          Como chegou a libertação do povo? Ex 3,7: “O Senhor disse: Eu vi, eu vi a aflição de meu povo que está no Egito, e ouvi os seus clamores por causa de seus opressores”.
-          Qual foi a motivação? O sofrimento do povo.
-          Qual foi a ação de Deus? Ex 3,10: “Vai, eu te envio ao Faraó para tirar do Egito os israelitas, meu povo”. A diferença básica entre Moisés e Saul está no agente gerador e realizador da ação: no 1º caso o agente gerador é o povo e sua insatisfação e o agente realizador é o próprio povo; no 2º o agente gerador é o sofrimento do Povo, e o agente realizador é Deus, que olha com misericórdia para o seu povo. Portanto, começamos a delinear o perfil do “chamado e do voluntário”.
1º Ponto:
O voluntário nasce de uma ação própria ou do povo, o “chamado” nasce da vontade de Deus. É preciso analisar qual foi a motivação que me levou a assumir o meu trabalho (ministério) atual – motivação própria, interesses pessoais, interesses de outros ou vontade de Deus?
2º Ponto:
Saul: 1Sm 13,9: “Trazei-me o holocausto e os sacrifícios pacíficos. E o ofereceu o holocausto”. Saul não tem visão dos limites de sua missão; não soube diferenciar entre seu ministério (função) e o de Samuel; e começa a entrar na função de Samuel. A função sacerdotal não era sua, e sim de Samuel. Saul demonstrou que não tinha visão definida do Plano de Deus.
Moisés: Ex 3,16 – A missão  - Ex 4,15 – Ministério de Aarão - Ex 29,4 – Sacerdote de Aarão
Moisés tinha consciência de sua missão e sabia que cabia a ele, apenas, conduzir o povo e com ele haveria Sacerdotes e Profetas. Mas a função dele era levar o povo à Terra Prometida.  
Conclusão:
A pessoa chamada por Deus tem que ter visão da missão, da sua função dentro do Plano de Deus. A pessoa voluntária (por não conhecer a missão e não ter visão do Plano de Deus), não encontra sua função no seio da Igreja e, quase sempre, está se metendo na função dos outros. Você conhece a missão que Deus tem para você? Qual a sua função especial na Igreja?
3º Ponto:  
Saul: 1Sm 14,24,33: Aqui vamos encontrar a imprudência de Saul, que coloca fardos pesados sobre os ombros do povo, impedindo-o de comer na véspera de uma importante batalha e jogando-o para o pecado, pois, devido à fome eles comem carne com sangue, que era um pecado contra Deus. Quase provoca a morte do filho.
Moisés: Ex 14,13-16: “Tende ânimo, e vereis a libertação que o Senhor vai operar...” Moisés não coloca fardo no povo, ao contrário sabe animar e estimular o povo; não exige sacrifícios, quando o povo tem fome, providencia comida. 
Conclusão: O “voluntário” acredita que a opressão e a escravidão contribuem para que Deus possa operar, ou seja, pensa que desta forma está ajudando a Deus. A pessoa “chamada”, ao contrário, sabe que a vitória é de Deus; tem consciência que a força é do alto e que ela é apenas instrumento.
4º Ponto:
Saul:
1Sm 15,3: “Vai, pois fere Amelec e volta ao interdito tudo o que lhe pertence, sem nada poupar...”
1Sm 15,9,11: “Mas Saul e seus homens pouparam Agag, assim como o melhor do rebanho médio e do grande...”
Deus dá uma ordem para Saul, ele desobedece e quer enganar a Deus; não tem pureza de intenções; quis levar vantagem guardando para si o melhor rebanho.
Moisés:
Nm 14,15; Ex 32,10: “... Vou destruí-lo, ferindo-o de peste, mas de ti farei uma nação mais poderosa do que ele”.
Nm 16,28: “Moisés disse, então: Nisto conhecereis que o Senhor me enviou a fazer todas estas obras, e que nada faço por mim mesmo”.
Moisés, ao contrário, era obediente, fazia aquilo que Deus ordenava, e não queria levar vantagem, tanto que não aceitou a proposta de elevar seu nome às custas da destruição do povo, ou seja, Moisés tem pureza de intenção.
Conclusão:
A pessoa voluntária não sabe perceber a ordem do Senhor, portanto, não cumpre, não obedece e faz todas as coisas para levar vantagem. O “chamado” sabe que o Senhor é quem o guia, portanto, é dócil às ordens dele e não busca seus próprios interesses, e sim a Glória de Deus.
5º Ponto:
Saul:
1Sm 15,21: “O povo somente tomou dos despojos algumas ovelhas e bois, à guisa de primícias do interdito, para sacrificar ao Senhor”.
Saul tente justificar seu erro, criando uma situação que justificasse a sua desobediência; não assume seu erro; não tem humildade suficiente para reconhecer seu erro; sente que é mais fácil justificar do que assumir.
Moisés:
Dt 34,4: “...Mas não entrará nela”.
Moisés teve que pagar pela infidelidade do povo, e pagou um alto preço. Após andar 40 anos e tantos sofrimentos, o mínimo que ele poderia esperar era entrar na Terra Prometida. Mas Moisés não justifica, não tenta defender-se diante de Deus. 
Ex 18,24: “Moisés ouviu o conselho de seu sogro e fez tudo o que tinha dito”.
Moisés também tinha humildade suficiente para ser aconselhado por outros. A humildade que faltou em reconhecer diante de Samuel sua culpa, Moisés teve para reconhecer que era passível de erro.
Conclusão:
O “voluntário” está sempre justificando seus erros, nunca assume sua incapacidade, suas limitações; precisa mostrar que é uma pessoa infalível.
O pior é que isso cansa; faz com que a pessoa desgaste-se e esteja sempre reclamando do peso de ter que carregar os outros. O “voluntário” não tem humildade para aceitar as idéias dos outros; não aceita ser corrigido e nem aconselhado. O “chamado”, ao contrário, sabe que Deus usa-o com suas limitações, e que o importante não é a pessoa, mas a Graça de Deus. A pessoa é apenas instrumento e necessita, muitas vezes, de ajuda inclusive dos próprios irmãos: é necessário humildade para receber críticas e conselhos. 
6º Ponto:
Saul:
1Sm 16,14: “O Espírito do Senhor retirou-se de Saul e um espírito mau veio sobre ele...”
Saul perdeu a Graça de Deus. Sua rebeldia, sua falta de humildade e outras falhas fizeram com que Deus retirasse dele Sua Graça. Conseqüentemente, Saul passou a ser dirigido, conduzido pela carne, pela própria vontade; passou a fazer tudo sem a unção de Deus. O Espírito de Deus abandonou Saul, e ele chega a uma situação máxima: a Graça de Deus já não está com ele.
Moisés:
Nm 9-15-23: “...Quando se levantava a nuvem de fogo sobre a tenda, os israelitas punham-se em marcha, no lugar onde a nuvem parava, aí acampavam... e observavam a ordem do Senhor”.
Ex 33,14: “O Senhor respondeu: Minha face irá contigo, e serei o teu guia...”
Moisés, ao contrário, era conduzido por Deus. O Espírito de Deus animava, guiava e conduzia-o, fazendo com que ele tivesse segurança na caminhada. Moisés sabia que, sem Deus, não dava para continuar.
Nm 11,14: “Eu sozinho não posso suportar todo esse povo”.
Deus tinha que estar com ele; não dava para caminhar sem a Graça de Deus.
Conclusão:
O “voluntário” está sempre agindo sem a graça de Deus e, portanto, fazendo a sua própria vontade. O “chamado” procura sempre fazer a vontade Deus.
7º Ponto:
Saul:
1Sm 18,6-9: “Dão dez mil a Davi, disse ele, e a mim apenas mil! Só lhe falta a coroa! E, a partir daquele dia, Saul olhou Davi com maus olhos”.
Saul passa a ter ciúme de Davi, e isto faz com que e inicie uma perseguição de sua parte a Deus.
Moisés:
Nm 27,14: “Moisés disse ao Senhor: O Senhor Deus dos Espíritos de tosa a carne escolha um homem que chefie a assembléia...”
Moisés sente-se gratificado ao ver que o escolhido de Deus é Josué, um discípulo seu. Ele sabe que a obra continuava, e que ele desaparecerá. Mas, o importante é que continue a obra. Ele não se sente como dono da obra, mas apenas como um instrumento que pode ser substituído.
Conclusão:
O “voluntário” pensa que ele é insubstituível, e quando surge alguém com capacidade superior, logo sente ciúme, inveja e o desejo de abafar aquele que está surgindo. O “chamado”, ao contrário, sente-se feliz ao olhar e ver que foi capaz de formar alguém igual ou superior a ele próprio, pois o importante é a continuação da obra.
8º Ponto:
Saul:
1Sm 22,16-19: “O Rei disse: Tu morrerás. Aquimelec, tu e toda a tua família”.
Aquimelec, sacerdote, tinha ajudado a Davi, e isto foi suficiente para despertar a ira de Saul, que mandou matá-los. Saul não admitia que alguém contraísse suas ordens; que alguém questionasse sua autoridade. Quando sentia que estava ameaçado, apelava para a morte, ou seja, destruía o irmão.
Moisés:
Nm 12-1-13: “...Porventura, é só por Moisés,diziam eles, que o Senhor fala? Não fala ele também para nós?...”
Nesta passagem, vamos ver que Aarão e Maria começam a questionar a autoridade de Moisés, e que ele ainda pede a Deus para não feri-los, mesmo Deus tendo tomado partido a favor de Moisés.
Moisés poderia, desta forma, aproveitar-se da ira de Deus e deixa-lo castigar seus irmãos. No entanto, Moisés não pensou assim; não interessava para ele destruir o irmão, mas sim fazê-lo crescer.
Conclusão:
O “voluntário” não suporta ver suas ordens serem contrariadas, sua autoridade ser questionada, não suporta ver ninguém que não aceite suas ordens: não suporta os irmãos que o questionam, que não concordam com ele – sempre que pode, procura prejudicá-los. O “chamado”, ao contrário, procura a reconciliação, a paz e a harmonia com os irmãos; ele sabe que o julgamento cabe a Deus e não a ele.

Temos aqui, portanto, algumas considerações para questionarmos a respeito de nosso ministério. Estamos respondendo o chamado que Deus fez para nós? Sem dúvida, Moisés compreendeu o chamado de Deus, e soube entender que a obra e o povo não lhe pertenciam, e sim a Deus; que ele era passageiro; que era necessário dividir o trabalho com outros; que era preciso formar outros para não correr o risco de ver o trabalho parado. É preciso entender que, o louro da conquista não importa, o importante é que Deus seja louvado.

È preciso ter clara a nossa posição dentro do Plano de Deus, e ao mesmo tempo, compreender que não podemos caminhar sozinhos; precisamos do irmão; que não podemos encará-lo como concorrente, mas sim como irmão, porque temos o mesmo objetivo: “a Glória de Deus”. 

Reflita: Como é que você sentiu-se chamado(a)?
Os apóstolos e discípulos ao serem chamados, sentiram alegria do encontro com o Senhor, e tornaram-se seus seguidores, sendo testemunhas, anunciadores do Reino de Deus (Cf Jo 1,35-476). A samaritana quando se encontra com Jesus (Jo 4,4-30) se converte, muda de vida e vai anunciar à comunidade a chegada do Messias.

Caso você tenha se sentido como um “voluntário”, não se desespere! Basta você ter humildade, reconhecer seu erro, e Deus virá ao seu auxílio. Creio que em todos nós, em algum momento em nossas vidas, somos “voluntários”, mas isso não significa que não sejamos “chamados” de Deus. Tudo é apenas uma questão de localizarmo-nos dentro do Plano de Deus.

Amém

 “Levantai os olhos e contemplai; os campos já estão dourados para ceifar”. (Jo 4,35)