domingo, 27 de março de 2011

Organize suas finanças

Organizar as finanças pode ajudar o consumidor a se livrar das dívidas e fugir da inadimplência. Cerca de 74% dos internautas que responderam à enquete do Idec estão endividados. Algumas dicas podem ajudar a evitar que se entre "no vermelho". Enquete realizada pelo Idec entre fevereiro e março deste ano apontou que mais de 74% dos consumidores estão endividados, contra somente 26% dos internautas declarando não possuir dívidas. É importante lembrar que estar "endividado" é diferente de estar "inadimplente ou, como se diz popularmente, "no vermelho". Porém, dos endividados, mais da metade (38,5%) disseram que possivelmente terão dificuldades para quitar seus débitos nos próximos meses - o que significa um grande risco de caírem nas estatísticas de inadimplência. Os outros 35,5% têm dívidas, mas acreditam que conseguirão pagar tudo dentro do prazo. Economizar e planejar são as palavras de ordem, tanto para quem deseja fugir das dívidas quanto para quem quer quitar seus débitos. Não é necessário ser radical, mas é preciso mais atenção com o orçamento doméstico. A primeira etapa começa no planejamento: é preciso fazer uma análise das despesas. Procure verificar e anotar cada gasto do mês. Nessa etapa, a planilha elaborada do Idec pode ajudar. Contabilizar os gastos é importante pois é nesse momento que o consumidor percebe quais são as despesas desnecessárias. Isso implica numa maior consciência do consumidor. Se você está endividado, comece a cortar do orçamento os gastos supérfluos (que você descobriu quais são ao preencher a planilha) e guarde o dinheiro que sobrar para pagar as dívidas. É essencial também que o consumidor comece a economizar. Ao contrário do que parece, poupar dinheiro não é tão difícil. Mudar alguns hábitos pode ajudar a guardar pequenas quantias de dinheiro que juntas podem ser a solução para quitar o débito ou ainda adquirir algum bem. Use as dicas abaixo para fazer o "check-list" da organização de suas finanças:
· Procure realizar as compras a vista, evitando parcelamentos;
· Pesquise preços e peça descontos - especialmente ao comprar à vista;
· Caso o parcelamento seja inevitável, pesquise as menores taxas de juros;
· Evite gastos desnecessários;
· Priorize o pagamento dos débitos que incidem juros mais altos - como o cheque especial e o cartão de crédito;
· Não contraia novas dívidas;
· Organize seu orçamento doméstico;
· Gaste somente 90% do que você ganha - o resto guarde. 

Fonte: Idec

sábado, 12 de março de 2011

Caipirinha de Cerveja

Ingredientes:
-cerveja
-limão galego
-açúcar
-gelo picado
-copo alto
-espremedor de caipirinha

Modo de Fazer:
Tire as extremidades do limão, corte-o em 4 e retire a pele branca do miolo.
Coloque em copo alto, esprema com açúcar até ficar bem misturado.
Coloque gelo picado e a cerveja bem gelada devagar, pois ela vai subir.
Depois é só saborear este drink refrescante.

quarta-feira, 9 de março de 2011

Campanha da Fraternidade 2011

Tema: Fraternidade e a Vida no Planeta.
Lema "A Criação Geme em Dores de parto" (Rm 8,22).

APRESENTAÇÃO
A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) propõe a cada ano, através da Campanha da Fraternidade (CF), um itinerário evangelizador fortemente voltado para a conversão pessoal e comunitária, em preparação à Páscoa. Em 2011, a CF atinge um marco importante pela 47ª vez!
Os objetivos gerais da CF são sempre os mesmos e decorrem da missão evangelizadora que a Igreja recebeu de Jesus Cristo: em vista do mandamento do amor fraterno, despertar e nutrir o espírito comunitário no meio do povo e a verdadeira solidariedade na busca do bem comum; educar para a vida fraterna, a partir da justiça e do amor, que são exigências centrais do Evangelho; renovar a consciência sobre a responsabilidade de todos na ação evangelizadora da Igreja, na promoção humana e na edificação de uma sociedade justa e solidária.
Durante esses quarenta e sete anos, a CF passou por três fases distintas: no início, os temas eram mais relacionados com a renovação da Igreja (1964 e 1965) e a renovação pessoal do cristão (1966 a 1972). Na segunda fase (1973 a 1984), a preocupação era mais voltada para a realidade social mediante a denúncia do pecado social e a promoção da justiça (Gaudium ET Spes, Medellín e Puebla). Na terceira fase (de 1985 até o presente), a Igreja no Brasil propõe temas de reflexão e conversão relativos às várias situações sociais e existenciais do povo brasileiro, que requerem maior fraternidade.
Em 2011 estaremos falando sobre meio ambiente, a gravidade do aquecimento global e das mudanças climáticas – causas e conseqüências. Tema: Fraternidade e a Vida no Planeta; Lema "A Criação Geme em Dores de parto", (Rm 8,22). Não há como não se dar conta que esta campanha esta ligada a Campanha de 2010, ora o fator econômico não esta relacionado à situação de nosso planeta hoje? Somos todos moradores de uma mesma casa, gostando disso ou não estamos interligados. Não há como simplesmente virar as costas e não se importar, afinal se ocorresse uma catástrofe a nível global para onde iríamos? Aquecimento global, mudanças geológicas nada mais é do que reações as nossas ações. A Campanha da Fraternidade de 2011, de maneira primorosa como sempre, vem justamente nos alertar desta verdade tudo o que fazemos pode prejudicar ou ajudar a salvar nosso planeta nos dá a oportunidade de como uma família sentarmos juntos e elaborarmos ações para salvar a nossa casa.
Em cada catástrofe seja ela terremotos, inundações, podemos sentir o planeta gemer, e a humanidade fazendo o mesmo, este gemido tem uma conotação de tristeza imensa. Ainda estamos em tempo hábil para reverter esta situação podemos transformar estes gemidos de dor em gemidos de amor e de esperança, sim podemos iniciar um período de gestação e após este período em que nos organizaremos com ações que ajudem a preservar o meio ambiente, receberemos de volta um planeta saudável, resgataremos o planeta que nos foi dado por Deus.
Esta campanha não é uma utopia e sim um alerta de que atitudes devem ser tomadas, não por uma minoria, mas por um todo, este planeta é nossa casa, precisamos ser fraternos, gerar ações que nos levem ao bem comum.
E para reforçar nossas expectativas aos Gestos Concretos que com certeza surgirão em nossas Paróquias, Sociedade através da conversão individual e coletiva nesta quaresma, sugerimos para nos estimular ao amor fraterno entre irmãos e irmãs comprometidos com o Meio Ambiente, louvarmos ao Senhor como São Francisco de Assis o fez por todas as criaturas que fazem parte da vida planetária.
Que a oração em que São Francisco louva a Deus pelas criaturas, nos inspire novas atitudes e nos ajude a ser transformados pelo Espírito de Deus de modo a resgatarmos atitudes de quem cultiva e cuida do seu jardim, esta obra maravilhosa, que hoje requer socorro dos autênticos filhos de Deus, e de todos aqueles que empreendem ações sinceras e despojadas em favor do planeta.

CÂNTICO DAS CRIATURAS SÃO FRANCISCO DE ASSIS!
Altíssimo, onipotente e bom Deus, teus são o louvor,
a glória, a honra e toda benção.
Só a Ti, Altíssimo, são devidos, e homem algum
é digno de Te mencionar.
Louvado sejas, meu Senhor, com todas as Tuas criaturas.
Especialmente o irmão Sol, que clareia o dia
e com sua luz nos ilumina.
Ele é belo e radiante, com grande esplendor de Ti,
Altíssimo é a imagem.
Louvado sejas meu Senhor, pela irmã Lua e as Estrelas,
que no céu formastes claras, preciosas e belas.
Louvado sejas meu Senhor, pelo irmão Vento,
pelo ar ou neblina, ou sereno e de todo tempo,
pelo qual às Tuas criaturas dais sustento.
Louvado sejas meu Senhor, pela irmã Água,
que é muito útil, humilde, preciosa e casta.
Louvado sejas meu Senhor, pelo irmão Fogo,
pelo qual iluminas a noite, e ele é belo e alegre, vigoroso e forte.
Louvado sejas meu Senhor, pela nossa irmã a mãe Terra,
que nos sustenta e nos governa, e produz frutos diversos,
e coloridas flores e ervas.
Louvado sejas meu Senhor, pelos que perdoam
por Teu amor e suportam enfermidades e tribulações.
Bem-aventurados os que sustentam a paz, que por Ti,
Altíssimo serão coroados.
Louvado sejas meu Senhor, pela nossa irmã a morte corporal,
da qual homem algum pode escapar.
Ai dos que morrem em pecado mortal!
Felizes os que ela achar conforme a Tua Santíssima vontade,
porque a segunda morte não lhes fará mal.
Louvai e bendizei ao meu Senhor, e daí-lhes graças
e servi-O com grande humildade.
Amém!

Fonte: cfarquidiocesesorocaba.com

terça-feira, 8 de março de 2011

Kibe Assado de Frango


Ingredientes Massa:
-1 peito de frango cozido
-250g de farinha de trigo para kibe
-2 galhos de hortelã               
-1 ramo de salsinha
-2 dentes de alho                   
-1 cebola grande
-1 colher de margarina         
-sal a gosto
-pimenta


Ingredientes Recheio:
-200g de azeitonas verdes   
-100g de requeijao
-150 g de mussarela ralada  
-2 tomates sem pele e sem semente
-orégano a gosto

Massa:
Deixe o trigo de kibe de molho em um recipiente por 20 minutos.
Corte o peito de frango cozido em cubos e bata todos os ingredientes no liquidificador até obter uma massa homogênea.
Acrescente o trigo de kibe, abra a metade da massa em um refratário untado, rechei e cubra com o restante.
Regue com azeite a gosto e asse em forno pré-aquecido a 200ºC por 40 minutos

Recheio:
Misture as azeitonas, os queijos e recheie o quibe,
por cima salpique os tomates bem picadinhos e o orégano.

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Cheese Salada de Microondas


Ingredientes
400g de coxão duro moído
1 pão francês amanhecido umedecido
1/2 xícara (chá) de leite
1 cebola pequena ralada
1 dente de alho picado
2 colheres (sopa) de salsinha picada
1/2 colher (sopa) de sal
4 colheres (sopa) de molho de soja (shoyu)
2 colheres (sopa) de azeite
8 fatias de queijo prato
4 pães de hambúrguer
8 folhas de alface
4 fatias de tomate
4 colheres (sopa) de maionese
Modo de Preparo
Em uma tigela, misture a carne, o pão francês umedecido com o leite, escorrido e espremido, a cebola, o alho, a salsinha e o sal. Divida a mistura em quatro partes e modele os hambúrgueres. Coloque em um refratário, regue com o molho de soja e o azeite. Leve ao micro-ondas em, potência alta, por 15 minutos, virando na metade do tempo. Espere 5 minutos, cubra cada hambúrguer com duas fatias de queijo e leve novamente ao micro-ondas por mais 1 minuto. Monte os lanches com os pães, o hambúrguer com queijo, as folhas de alface, o tomate e a maionese. Sirva a seguir

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Reunião de Pais, Mães ou Responsáveis

“Em nossa sociedade hoje, como temos cuidado de nossos(as) filhos(as)?”
reunião de pais é um momento oportuno para nossa formação cristã

1.      19h30’’ – Acolhida  (providenciar bolo, suco, copos descartáveis, guardanapos, papel e caneta para anotações dos grupos.
2.       19h40’’ – VER - 10 minutos para expor o tema abaixo
3.       19h50’’ – Iniciar debate em grupo  (grupo de 3 a 4 pais) com as perguntas: O que estamos conseguindo? O que não? Anotar em papel por grupo.
4.       20h10’’ – ILUMINAR - Leitura Bíblica  e pontuação das respostas dos grupos de pais (providenciar bíblia, flores e vela);
Ø  A vida de Cristo em nós deve alcançar as pessoas. Acender a vela e ler Mt 5, 13-16;
Ø  Precisamos de experiências com o Senhor – Espiritualidade;
Ø  Somos chamados a conhecê-lo e também trazer outros a ter semelhante conhecimento;
Ø  Devemos começar com os que estão mais próximos: cônjuge, filhos, amigos, vizinhos.
5.       20h30’’ – CELEBRAR - Oração espontânea – após cada pedido cantar: Vem Espírito Santo vem, vem iluminar.
6.       20h40’’ – AGIR - esclarecimento de dúvidas sobre catequese (DNC cap 2)
Ø  bíblia, portifólio (pasta/caderno), material, catequistas/catequizandos;
Ø  Catequese permanente - sacramento é conquista, caminhada, não é prêmio nem castigo;
Ø  Lugares da catequese - idade, grupos, horário, tempo de catequese, avaliação;
Ø  Outros que julgar necessários;
Ø  Ouvir os pais – anotar tudo - atendimento individual e específico se necessário.
7.       21h – Fim da reunião.

Tema a ser exposto: “Em nossa sociedade hoje, como temos cuidado de nossos(as) filhos(as).”
ü Como resguardamos nossos pequenos da fascinação perigosa das drogas, do sexo, do ocultismo, do cristianismo liberal?
ü Nossa sociedade tem sido bombardeada com novidades que visam antes de tudo a mente das crianças;
ü Livros e música sempre precederam e até determinaram grandes mudanças para o bem ou o mal;
ü Nunca se viu tanta ênfase ao oculto, à libertinagem, nos livros, revistas, músicas (festas e TV);
ü Como pais e educadores, temos a responsabilidade de guardar as crianças e adolescentes de influências destrutivas, mesmo das que apresentam sob o inocente disfarce de “são apenas brincadeirinhas da idade”;
ü Educar vem do latim educare, que significa conduzir, guiar; Devemos conduzir nossas crianças a valores e princípios sólidos benéficos e imutáveis que só encontramos na Palavra de Deus e poupá-los das mentiras do diabo (aquele que divide, engana) e conduzi-las no caminho da verdade.
Obs:
a)     Não se faz reunião com os pais para apontar falhas dos filhos/as, cobrar falta de participação na catequese e comunidade, reclamar da indisciplina dos filhos/as, etc, mas para unir forças e partilhar responsabilidades de educar os catequizandos e planejar as ações para alcançar os objetivos da catequese na família e na comunidade. 
b)     Esta reunião não tem oração inicial nem final, o encontro todo é momento de oração e o clímax se dá no item 5.
c)     Outro detalhe: fazer a reunião participando os pais/mães/responsáveis e cada catequista por grupo/etapa, que recebe o roteiro e faz a sua reunião. Nada de 1 reunião com todos os pais e catequistas juntos.

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Sukiyaki ou Sukiaki

O prato Sukiyaki tem origem camponesa e datada na era medieval japonesa. Minha amiga Mari que ensinou como fazer e usamos uma panela grill quadrada da Fun Kitchen com tampa de vidro.

A palavra Sukiyaki é uma palavra composta onde Suki significa rastelo e Yaki significa assar, deste modo, sukiyaki significa assar com rastelo.

A origem deste prato, hoje sofisticado e tradicional, teve início com os camponeses assando batatas-doces diretamente no fogo com o auxílio do rastelo japonês que com seu formato peculiar facilitava este processo de cocção, facilitando a vida dos camponeses evitando que eles tivessem que levar utensílios de cozinha mais pesados.

Com o passar do tempo eles passaram a assar outros legumes e foram agregando mais ingredientes e molhos, já utilizando panelas de ferro em datas festivas onde todos os comensais se serviam da mesma panela. Assim o sukiyaki ganhou um valor espiritual típico do japonês que é o de reafirmar os laços familiares, afetivos e de amizade através da mesa, resguardando sua cultura e tradição.

Ingredientes

  • 30g de manteiga sem sal
  • 400g de filé mignon fateado finamente
  • 6 folhas de acelga
  • 250g de moyashi ( brotos de feijão)
  • 1 unidade de cebola média
  • ½ maço de naga negui (cebolinha grossa,cebolão, cebolinha branca)
  • 4 unidades de cogumelos Shiitake grande
  • 250g de itoh konhaku ( macarrão de batata)
  • 250g de tofu ( queijo de soja)
  • outras opções: hakusai, couve-flor, udon, brócolis.

Dashi (molho)

  • 100 ml de shoyu ( molho de soja)
  • 50ml de sake comum
  • 50ml de mirim ( sake doce)
  • 15g de açúcar

Porção para 4 pessoas
Sukiaki do Restaurante Japones Sushi-Kiyo

Modo de preparo

Lave bem as folhas de acelga e corte-as em cubos ( retângulos), lave os talos da cebolinha grossa e corte-as em pequenos talos de 5 cm em diagonal, retire os talos do cogumelo shiitake, corte em cubos de 5 cm o queijo de soja.

Retire o macarrão de batata do pacote e cuidadosamente esprema-os com as mãos de modo que, saia o máximo do soro que envolve o macarrão.

Aqueça a panela e derreta a manteiga, em seguida refogue levemente a carne sem deixar dourar.

Em seguida coloque as folhas de acelga cortadas em cubos ( retângulos), a cebola cortadas em meia rodelas de 1 cm de espessura, os cogumelos shiitake sem os talos e as cebolinhas cortadas em bastonettes de 5 cm de comprimento em diagonal e o tofu cortado em cubos.

Misture todos os ingredientes do molho e vá adicionando ao sukiyaki. Em seguida acrescente o macarrão de batata.

Certifique-se de que todos os ingredientes estão dispostos de forma artística e tampe a panela após 8 minutos retire a tampa e acrescente o broto de feijão.

Deixe cozinhar por 2 minutos e estará pronto para servir.

Observação: 
A medida que o molho for secando da panela vá acrescentando aos poucos mais molho.

domingo, 9 de janeiro de 2011

Ética Cotidiana

Todos os dias, no noticiário, lêem-se denúncias de corrupção e atos criminosos por parte de políticos e governantes. Essa situação torna desculpáveis as pequenas transgressões que os cidadãos cometem no dia-a-dia?
De forma nenhuma. É execrável que figuras públicas ou eleitas pelo voto popular não sejam nem a sombra do exemplo ético e moral que se espera que elas sejam. O fato de haver criminosos ou suspeitos em altos postos da hierarquia política só aumenta a responsabilidade pessoal dos cidadãos de bem.   


Pedir ao avô ou a uma amiga grávida que compre ingressos na fila preferencial é passar os outros para trás?
Sim. O avô ou a amiga grávida, a seu pedido, estará aumentando o número de pessoas em uma fila que, de outro modo, seria menor.

  
Pagar a alguém para ficar na fila no seu lugar ou pedir esse favor a um amigo prejudica os demais?
Não prejudica. O que conta em uma fila é o número de pessoas que estão nela. A troca de uma pessoa por outra não altera o resultado final do incômodo. 


Consumir produtos importados de países que comprovadamente usam mão-de-obra escrava equivale a aprovar essa prática?
Pior do que isso. Equivale a financiar essa prática. Evitar esses produtos é a coisa certa a fazer – mesmo que isso não sirva para punir economicamente o explorador –, pois outras pessoas vão continuar a comprá-los.   



Um motorista profissional que precisa da carteira de habilitação para sobreviver e alimentar mulher e filhos recebe uma multa que implica a perda do direito de dirigir. É ético ele pedir à mulher que assuma a responsabilidade pela multa?
Eis um dilema. Mas a resposta é não. O acúmulo de multas, assumindo que os guardas de trânsito agiram corretamente, mostra que ele não é um motorista responsável. Portanto, do ponto de vista do bem comum, o certo é impedi-lo de dirigir. O ideal seria que, nesses casos, o Estado tivesse mecanismos de amparo à família do motorista e oferecesse um curso de reeducação para o trânsito no prazo máximo de uma semana após a perda da habilitação. 



Uma gravadora anuncia que não tem planos para lançar no Brasil determinado DVD. Esse mesmo DVD é vendido em cópias piratas. Nesse caso, é ético recorrer ao mercado negro?
É quase irresistível, mas a resposta é não. Comprar o DVD em questão estimula a pirataria, atividade que concentra renda nas mãos de bandidos, destrói empregos formais e empobrece as pessoas honestas.   



Os brasileiros trabalham quatro meses por ano para pagar impostos que serão desperdiçados por gestores incompetentes ou vão parar, em parte, no bolso de corruptos. Portanto, obter um desconto no consultório médico aceitando a proposta de pagar "sem recibo" é não apenas uma vantagem pessoal, mas também vingança contra o governo. Certo?
Certamente é as duas coisas. Mas é também um claro atentado à ética. Não se combate a corrupção com corrupção. A maneira de protestar contra governos que gastam demais e políticos desonestos é nas urnas. Pode demorar e ser pouco eficiente, mas é assim que se constrói um país.   



Mas o valor que se paga em impostos não é devolvido na forma de benefícios. Não é realmente legítimo buscar atalhos para diminuir a carga tributária pessoal?
Não, porque o Estado vai obstinadamente buscar a quantia de que precisa para pagar o serviço de sua dívida e financiar seu funcionamento. Portanto, quem paga menos vai sobrecarregar quem paga corretamente. Vai penalizar a vítima e não o culpado, o Estado. Procurar atalhos legais para diminuir o valor do imposto a pagar é correto. 



Registrar um imóvel por um valor mais baixo para escapar dos impostos é prática corriqueira no Brasil. Isso é aceitável?
O certo é pagar os impostos pelo valor exato da transação. Proteste nas urnas escolhendo candidatos com planos viáveis de baixar tributos. Organize passeatas contra os impostos altos, junte-se a grupos que já protestam.

   
Avançar o sinal vermelho à noite, quando quase não há movimento, aumenta a segurança contra assaltos. Isso é correto?
Sim. Como lembra Ubirajara Calmon Carvalho, professor de filosofia da Universidade de Brasília, "as regras foram feitas para o ser humano, e não o contrário". Nesse caso específico, fica a critério do motorista proceder da maneira mais segura para ele e para os outros.   



É certo avançar na faixa mesmo quando não há pedestres passando?
De dia, não. De madrugada, diminua a marcha, observe com cuidado redobrado e atravesse.   



Usar o telefone da empresa para interurbanos particulares é uma maneira de economizar. Mas isso é aceitável?
Isso é furto. Equivale a abrir o cofre da empresa e enfiar a mão em um maço de dinheiro. Salário baixo, mesquinhez patronal ou más condições de trabalho não justificam esses pequenos expedientes.   



É melhor ter meninos malabaristas, engolidores de fogo e vendedores de balas nos cruzamentos das grandes cidades do que tê-los assaltando, certo?
Não. As duas coisas não são excludentes. O mais útil para a sociedade é que os meninos e meninas estejam na escola estudando, sendo alimentados e orientados. Mas a caridade individual não deve ser regulada por uma ética coletiva. Ela pertence àquela região interior em que manda a convicção pessoal.   



Quem consome drogas ocasionalmente está ajudando o crime organizado e financiando, sem querer ou saber, latrocínios, seqüestros e chacinas?
Sim. Sem o dinheiro dos consumidores, o tráfico de drogas desapareceria. O "ocasionalmente" não torna o consumo mais aceitável. É o mesmo que aceitar que uma pessoa cometa no máximo dois ou três assassinatos por ano.   



"Eu apanhei dos meus pais e me tornei um adulto psicologicamente normal, um bom marido e um profissional correto. Isso me diz tudo o que preciso saber sobre dar umas palmadas nos meus próprios filhos." Certo?
Não. Castigos físicos deseducam.   



Um amigo relapso, de péssimo desempenho escolar e vida desregrada contava a todos que conseguira um emprego exagerando suas qualidades no curriculum vitae. Desde que começou a trabalhar, ele se endireitou e hoje pede a todos que não contem a seu patrão o "deslize" inicial da carreira. É certo ajudar o amigo a esconder o embuste?
Não, mas, se o sujeito se endireitou, deixa pra lá.   



Na dúvida sobre quem roubou uma prova, o professor decide punir igualmente toda a classe. Para a maioria, a punição terá efeitos superficiais. Para dois alunos pobres, porém, ela significará a perda da bolsa de estudos e a expulsão do colégio. O professor deveria relevar o erro coletivo para salvar os dois alunos pobres?
Sim. Injusto é permitir que um mesmo erro ou suspeita produza punições tão díspares, atingindo violentamente alguns, enquanto outros se safam com apenas uma admoestação. 



Um colega de classe invariavelmente leva "cola" em dias de prova. O correto é delatá-lo?
Não. Na cultura brasileira delatar é pior do que colar.  


Permitir que filhos adolescentes procedam de maneira errada na escola e em sociedade sob a desculpa de que eles – os pais – também fizeram suas bagunças é certo?
É cômodo, mas não é certo. O aprendizado se faz com base nas experiências, boas ou ruins, de gerações passadas. "Sorte dos filhos cujos pais aprenderam com os erros da adolescência", diz o filósofo Alípio Casali, da PUC de São Paulo.  


Os ativistas de defesa dos animais jogam tinta nos casacos de pele das pessoas no Hemisfério Norte. Isso é correto?
Não. Essas agressões não inibem a matança de animais. O mais eficiente é mostrar imagens de filhotinhos submetidos a sofrimentos indizíveis.


Estacionar em fila dupla é proibido, mas dar uma paradinha rápida para comprar um remédio ou entregar uma encomenda é um delito menor, não?
A parada só é rápida para quem parou. Para as outras pessoas, dependendo da pressa, essa manobra pode significar um incômodo gigantesco. 


Uma das professoras da pré-escola decidiu contar a um menino que Papai Noel não existe. A justificativa dela foi que os coleguinhas já não acreditavam e faziam troça dele. Ela agiu corretamente?
Não. A escola ensina, os pais educam. Caberia à professora alertar os pais para a situação incômoda do filho.


Um médico propõe dar dois recibos com datas diferentes de modo que o valor de cada um fique dentro da quantia coberta pelo seguro-saúde. Assim, o paciente conseguirá ser reembolsado pelo valor total da consulta. É errado aceitar a oferta?
Sim. Os custos dos planos médicos particulares são calculados sobre toda a sua base de clientes. Com sua economia, você acabará tornando as mensalidades mais altas para quem age de acordo com as regras.  
Uma pessoa tem certeza de que tolera muito bem a bebida e se sente apta a dirigir mesmo depois de tomar três doses de uísque. A lei não deveria prever esses casos?
Não. O limite alcoólico estabelecido em lei é aquele a partir do qual a maioria dos seres humanos tem sua capacidade de julgamento comprometida. Deixar esse limite ser estabelecido caso a caso não funciona.  


Você acredita que um amigo de seu filho adolescente é uma má influência. Não transmitir os recados que esse amigo deixa com a intenção de proteger seu filho é uma boa idéia?
Não. Além de ser uma tática pouco eficaz, ela tem uma dose de desonestidade e tira do jovem um direito que é dele – o de escolher seu grupo. É melhor expor suas dúvidas e conversar a respeito, para que ele possa, quem sabe, repensar as amizades.


Um professor de tênis sabe que seu pupilo não tem potencial para ser um bom jogador. Ano após ano ele continua cobrando as aulas do garoto. O correto é dizer a verdade, perder o aluno e o dinheiro das aulas?
Depende. Se a criança tem a ilusão de que se tornará tenista profissional, sim, é obrigação dele ser claro a respeito de seu julgamento. Se o aluno só quer se divertir, o professor pode continuar dando as aulas.

  
Anular o voto na próxima eleição em protesto pela má conduta dos políticos é um procedimento correto?
Pode não funcionar como protesto, mas anular o voto não fere a consciência individual de ninguém. O americano Alasdair MacIntyre, autoridade em filosofia moral, defendeu o voto nulo na última eleição americana: "Quando nos é oferecida a opção entre duas alternativas políticas intoleráveis, é importante não escolher nenhuma".  


Alguém ouve música em alto volume, mas ainda dentro do limite legal dedecibéis para aquela região. O vizinho reclama. Quem tem razão?
Ao contrário do limite alcoólico, o grau de incômodo sonoro deve, sim, ser regulado caso a caso. Quem reclama deve ter suas razões (um bebê recém-nascido em casa, por exemplo).  
Recorrer a despachantes para apressar o andamento de documentos é ético?
Esse é um caso em que se está em um limite nebuloso da lei e da ética. A atividade de despachante é legal, mas esses profissionais freqüentemente recorrem a propinas e "jeitinhos" que alimentam a máquina da corrupção.  


Um casal de amigos adotou uma criança e não pretende revelar que ela não é filho natural. Você sabe que essa omissão pode prejudicar a criança mais tarde. É certo contar a ela sua real situação familiar?
Não. O adotado que descobre a verdade acidentalmente ou por outras pessoas sofre mais do que aquele que recebe a notícia dos pais. O mais correto é convencer o casal de amigos a dizer a verdade quando e como eles quiserem.


Quando a estrada está vazia e não há radar à vista, ultrapassar o limite de velocidade não traz maiores conseqüências, correto?
O limite de velocidade é imposto justamente para evitar acidentes em circunstâncias imprevistas. Além disso, o desrespeito à lei é desrespeito mesmo quando não há ninguém olhando.  


O.k., mas circular no próprio bairro em dias que o rodízio proíbe não coloca ninguém em risco...
Certo, mas a lei é feita para todos e, se todos seguirem essa mesma lógica, o rodízio perderá sua eficácia. Se o rodízio for para conter a poluição, sair de carro é ainda mais errado.  


É certo usar uma foto em que você nem parece ter barriga para se propagandear em um site de paquera na internet?
Pela etiqueta da internet, isso não é certo nem errado. É quase uma obrigação. Como 99% das conversas on-line não passam da fase virtual, não há problema algum em se mostrar virtualmente diferente.


Alguns religiosos americanos dizem que, se Jesus vivesse entre os mortais hoje, jamais dirigiria um utilitário, pois esses carros consomem muito combustível e, por isso, prejudicam todo mundo. É correto ter um carro grande para uso individual? 
É permitido pela lei. Pode ser ecologicamente incorreto, mas ninguém deve se sentir mal por isso.  


Um médico tem na mesa de cirurgia uma criança que só pode ser salva com uma transfusão de sangue. Os pais proíbem a intervenção sob o argumento de que isso vai contra a religião deles. O médico deve fazer a transfusão de sangue e salvar a criança?
Em uma emergência, sim. Ele seria protegido pela lei e pela ética médica. Havendo tempo, deve procurar o amparo legal de um juiz.  


Um pássaro de comercialização ilegal está exposto em uma feira de animais em condições de evidentes maus-tratos. É correto desrespeitar a lei, comprar o pássaro e dar-lhe uma vida melhor?
Não. Da mesma forma que com o tráfico de drogas, é o fato de haver consumidores que alimenta o tráfico cruel de animais silvestres. Sem compradores, ele deixa de existir. O melhor é fazer uma denúncia à polícia.  


Se a maioria dos vizinhos se cotiza para pagar um guarda-noturno para o quarteirão, é justo que um morador se recuse a contribuir?
Não. Mesmo que alegue não fazer questão do serviço, ele se beneficiará dele.


O carro sofreu batidas fortes, mas foi totalmente recuperado e parece em ótimo estado. Ao vendê-lo, é honesto não dar todos os detalhes sobre a gravidade das batidas?
Não. Omitir esse tipo de informação é inaceitável do ponto de vista ético. Além disso, agindo assim, o antigo proprietário se torna juridicamente acionável em caso de danos futuros conseqüentes das avarias não relatadas ao comprador.

  
Vejo que muitos motoristas jogam o toco de cigarro pela janela, em vez de apagá-lo no cinzeiro do carro. Isso é aceitável?
Não. Você jogaria uma bituca no chão de sua própria casa? Pois então não existe desculpa para sujar o chão dos espaços públicos, que são a casa de todos.

Ética Cotidiana


Todos os dias, no noticiário, lêem-se denúncias de corrupção e atos criminosos por parte de políticos e governantes. Essa situação torna desculpáveis as pequenas transgressões que os cidadãos cometem no dia-a-dia?
De forma nenhuma. É execrável que figuras públicas ou eleitas pelo voto popular não sejam nem a sombra do exemplo ético e moral que se espera que elas sejam. O fato de haver criminosos ou suspeitos em altos postos da hierarquia política só aumenta a responsabilidade pessoal dos cidadãos de bem.  


Pedir ao avô ou a uma amiga grávida que compre ingressos na fila preferencial é passar os outros para trás?
Sim. O avô ou a amiga grávida, a seu pedido, estará aumentando o número de pessoas em uma fila que, de outro modo, seria menor.

  
Pagar a alguém para ficar na fila no seu lugar ou pedir esse favor a um amigo prejudica os demais?
Não prejudica. O que conta em uma fila é o número de pessoas que estão nela. A troca de uma pessoa por outra não altera o resultado final do incômodo.


Consumir produtos importados de países que comprovadamente usam mão-de-obra escrava equivale a aprovar essa prática?
Pior do que isso. Equivale a financiar essa prática. Evitar esses produtos é a coisa certa a fazer – mesmo que isso não sirva para punir economicamente o explorador –, pois outras pessoas vão continuar a comprá-los.  



Um motorista profissional que precisa da carteira de habilitação para sobreviver e alimentar mulher e filhos recebe uma multa que implica a perda do direito de dirigir. É ético ele pedir à mulher que assuma a responsabilidade pela multa?
Eis um dilema. Mas a resposta é não. O acúmulo de multas, assumindo que os guardas de trânsito agiram corretamente, mostra que ele não é um motorista responsável. Portanto, do ponto de vista do bem comum, o certo é impedi-lo de dirigir. O ideal seria que, nesses casos, o Estado tivesse mecanismos de amparo à família do motorista e oferecesse um curso de reeducação para o trânsito no prazo máximo de uma semana após a perda da habilitação.



Uma gravadora anuncia que não tem planos para lançar no Brasil determinado DVD. Esse mesmo DVD é vendido em cópias piratas. Nesse caso, é ético recorrer ao mercado negro?
É quase irresistível, mas a resposta é não. Comprar o DVD em questão estimula a pirataria, atividade que concentra renda nas mãos de bandidos, destrói empregos formais e empobrece as pessoas honestas.  



Os brasileiros trabalham quatro meses por ano para pagar impostos que serão desperdiçados por gestores incompetentes ou vão parar, em parte, no bolso de corruptos. Portanto, obter um desconto no consultório médico aceitando a proposta de pagar "sem recibo" é não apenas uma vantagem pessoal, mas também vingança contra o governo. Certo?
Certamente é as duas coisas. Mas é também um claro atentado à ética. Não se combate a corrupção com corrupção. A maneira de protestar contra governos que gastam demais e políticos desonestos é nas urnas. Pode demorar e ser pouco eficiente, mas é assim que se constrói um país.  



Mas o valor que se paga em impostos não é devolvido na forma de benefícios. Não é realmente legítimo buscar atalhos para diminuir a carga tributária pessoal?
Não, porque o Estado vai obstinadamente buscar a quantia de que precisa para pagar o serviço de sua dívida e financiar seu funcionamento. Portanto, quem paga menos vai sobrecarregar quem paga corretamente. Vai penalizar a vítima e não o culpado, o Estado. Procurar atalhos legais para diminuir o valor do imposto a pagar é correto.



Registrar um imóvel por um valor mais baixo para escapar dos impostos é prática corriqueira no Brasil. Isso é aceitável?
O certo é pagar os impostos pelo valor exato da transação. Proteste nas urnas escolhendo candidatos com planos viáveis de baixar tributos. Organize passeatas contra os impostos altos, junte-se a grupos que já protestam.

   
Avançar o sinal vermelho à noite, quando quase não há movimento, aumenta a segurança contra assaltos. Isso é correto?
Sim. Como lembra Ubirajara Calmon Carvalho, professor de filosofia da Universidade de Brasília, "as regras foram feitas para o ser humano, e não o contrário". Nesse caso específico, fica a critério do motorista proceder da maneira mais segura para ele e para os outros.  



É certo avançar na faixa mesmo quando não há pedestres passando?
De dia, não. De madrugada, diminua a marcha, observe com cuidado redobrado e atravesse.  



Usar o telefone da empresa para interurbanos particulares é uma maneira de economizar. Mas isso é aceitável?
Isso é furto. Equivale a abrir o cofre da empresa e enfiar a mão em um maço de dinheiro. Salário baixo, mesquinhez patronal ou más condições de trabalho não justificam esses pequenos expedientes.  



É melhor ter meninos malabaristas, engolidores de fogo e vendedores de balas nos cruzamentos das grandes cidades do que tê-los assaltando, certo?
Não. As duas coisas não são excludentes. O mais útil para a sociedade é que os meninos e meninas estejam na escola estudando, sendo alimentados e orientados. Mas a caridade individual não deve ser regulada por uma ética coletiva. Ela pertence àquela região interior em que manda a convicção pessoal.  



Quem consome drogas ocasionalmente está ajudando o crime organizado e financiando, sem querer ou saber, latrocínios, seqüestros e chacinas?
Sim. Sem o dinheiro dos consumidores, o tráfico de drogas desapareceria. O "ocasionalmente" não torna o consumo mais aceitável. É o mesmo que aceitar que uma pessoa cometa no máximo dois ou três assassinatos por ano.  



"Eu apanhei dos meus pais e me tornei um adulto psicologicamente normal, um bom marido e um profissional correto. Isso me diz tudo o que preciso saber sobre dar umas palmadas nos meus próprios filhos." Certo?
Não. Castigos físicos deseducam.  



Um amigo relapso, de péssimo desempenho escolar e vida desregrada contava a todos que conseguira um emprego exagerando suas qualidades no curriculum vitae. Desde que começou a trabalhar, ele se endireitou e hoje pede a todos que não contem a seu patrão o "deslize" inicial da carreira. É certo ajudar o amigo a esconder o embuste?
Não, mas, se o sujeito se endireitou, deixa pra lá.  



Na dúvida sobre quem roubou uma prova, o professor decide punir igualmente toda a classe. Para a maioria, a punição terá efeitos superficiais. Para dois alunos pobres, porém, ela significará a perda da bolsa de estudos e a expulsão do colégio. O professor deveria relevar o erro coletivo para salvar os dois alunos pobres?
Sim. Injusto é permitir que um mesmo erro ou suspeita produza punições tão díspares, atingindo violentamente alguns, enquanto outros se safam com apenas uma admoestação.



Um colega de classe invariavelmente leva "cola" em dias de prova. O correto é delatá-lo?
Não. Na cultura brasileira delatar é pior do que colar.  


Permitir que filhos adolescentes procedam de maneira errada na escola e em sociedade sob a desculpa de que eles – os pais – também fizeram suas bagunças é certo?
É cômodo, mas não é certo. O aprendizado se faz com base nas experiências, boas ou ruins, de gerações passadas. "Sorte dos filhos cujos pais aprenderam com os erros da adolescência", diz o filósofo Alípio Casali, da PUC de São Paulo.  


Os ativistas de defesa dos animais jogam tinta nos casacos de pele das pessoas no Hemisfério Norte. Isso é correto?
Não. Essas agressões não inibem a matança de animais. O mais eficiente é mostrar imagens de filhotinhos submetidos a sofrimentos indizíveis.


Estacionar em fila dupla é proibido, mas dar uma paradinha rápida para comprar um remédio ou entregar uma encomenda é um delito menor, não?
A parada só é rápida para quem parou. Para as outras pessoas, dependendo da pressa, essa manobra pode significar um incômodo gigantesco.


Uma das professoras da pré-escola decidiu contar a um menino que Papai Noel não existe. A justificativa dela foi que os coleguinhas já não acreditavam e faziam troça dele. Ela agiu corretamente?
Não. A escola ensina, os pais educam. Caberia à professora alertar os pais para a situação incômoda do filho.


Um médico propõe dar dois recibos com datas diferentes de modo que o valor de cada um fique dentro da quantia coberta pelo seguro-saúde. Assim, o paciente conseguirá ser reembolsado pelo valor total da consulta. É errado aceitar a oferta?
Sim. Os custos dos planos médicos particulares são calculados sobre toda a sua base de clientes. Com sua economia, você acabará tornando as mensalidades mais altas para quem age de acordo com as regras.  
Uma pessoa tem certeza de que tolera muito bem a bebida e se sente apta a dirigir mesmo depois de tomar três doses de uísque. A lei não deveria prever esses casos?
Não. O limite alcoólico estabelecido em lei é aquele a partir do qual a maioria dos seres humanos tem sua capacidade de julgamento comprometida. Deixar esse limite ser estabelecido caso a caso não funciona.  


Você acredita que um amigo de seu filho adolescente é uma má influência. Não transmitir os recados que esse amigo deixa com a intenção de proteger seu filho é uma boa idéia?
Não. Além de ser uma tática pouco eficaz, ela tem uma dose de desonestidade e tira do jovem um direito que é dele – o de escolher seu grupo. É melhor expor suas dúvidas e conversar a respeito, para que ele possa, quem sabe, repensar as amizades.


Um professor de tênis sabe que seu pupilo não tem potencial para ser um bom jogador. Ano após ano ele continua cobrando as aulas do garoto. O correto é dizer a verdade, perder o aluno e o dinheiro das aulas?
Depende. Se a criança tem a ilusão de que se tornará tenista profissional, sim, é obrigação dele ser claro a respeito de seu julgamento. Se o aluno só quer se divertir, o professor pode continuar dando as aulas.

  
Anular o voto na próxima eleição em protesto pela má conduta dos políticos é um procedimento correto?
Pode não funcionar como protesto, mas anular o voto não fere a consciência individual de ninguém. O americano Alasdair MacIntyre, autoridade em filosofia moral, defendeu o voto nulo na última eleição americana: "Quando nos é oferecida a opção entre duas alternativas políticas intoleráveis, é importante não escolher nenhuma".  


Alguém ouve música em alto volume, mas ainda dentro do limite legal de decibéis para aquela região. O vizinho reclama. Quem tem razão?
Ao contrário do limite alcoólico, o grau de incômodo sonoro deve, sim, ser regulado caso a caso. Quem reclama deve ter suas razões (um bebê recém-nascido em casa, por exemplo).  
Recorrer a despachantes para apressar o andamento de documentos é ético?
Esse é um caso em que se está em um limite nebuloso da lei e da ética. A atividade de despachante é legal, mas esses profissionais freqüentemente recorrem a propinas e "jeitinhos" que alimentam a máquina da corrupção.  


Um casal de amigos adotou uma criança e não pretende revelar que ela não é filho natural. Você sabe que essa omissão pode prejudicar a criança mais tarde. É certo contar a ela sua real situação familiar?
Não. O adotado que descobre a verdade acidentalmente ou por outras pessoas sofre mais do que aquele que recebe a notícia dos pais. O mais correto é convencer o casal de amigos a dizer a verdade quando e como eles quiserem.


Quando a estrada está vazia e não há radar à vista, ultrapassar o limite de velocidade não traz maiores conseqüências, correto?
O limite de velocidade é imposto justamente para evitar acidentes em circunstâncias imprevistas. Além disso, o desrespeito à lei é desrespeito mesmo quando não há ninguém olhando.  


O.k., mas circular no próprio bairro em dias que o rodízio proíbe não coloca ninguém em risco...
Certo, mas a lei é feita para todos e, se todos seguirem essa mesma lógica, o rodízio perderá sua eficácia. Se o rodízio for para conter a poluição, sair de carro é ainda mais errado.  


É certo usar uma foto em que você nem parece ter barriga para se propagandear em um site de paquera na internet?
Pela etiqueta da internet, isso não é certo nem errado. É quase uma obrigação. Como 99% das conversas on-line não passam da fase virtual, não há problema algum em se mostrar virtualmente diferente.


Alguns religiosos americanos dizem que, se Jesus vivesse entre os mortais hoje, jamais dirigiria um utilitário, pois esses carros consomem muito combustível e, por isso, prejudicam todo mundo. É correto ter um carro grande para uso individual?
É permitido pela lei. Pode ser ecologicamente incorreto, mas ninguém deve se sentir mal por isso.  


Um médico tem na mesa de cirurgia uma criança que só pode ser salva com uma transfusão de sangue. Os pais proíbem a intervenção sob o argumento de que isso vai contra a religião deles. O médico deve fazer a transfusão de sangue e salvar a criança?
Em uma emergência, sim. Ele seria protegido pela lei e pela ética médica. Havendo tempo, deve procurar o amparo legal de um juiz.  


Um pássaro de comercialização ilegal está exposto em uma feira de animais em condições de evidentes maus-tratos. É correto desrespeitar a lei, comprar o pássaro e dar-lhe uma vida melhor?
Não. Da mesma forma que com o tráfico de drogas, é o fato de haver consumidores que alimenta o tráfico cruel de animais silvestres. Sem compradores, ele deixa de existir. O melhor é fazer uma denúncia à polícia.  


Se a maioria dos vizinhos se cotiza para pagar um guarda-noturno para o quarteirão, é justo que um morador se recuse a contribuir?
Não. Mesmo que alegue não fazer questão do serviço, ele se beneficiará dele.


O carro sofreu batidas fortes, mas foi totalmente recuperado e parece em ótimo estado. Ao vendê-lo, é honesto não dar todos os detalhes sobre a gravidade das batidas?
Não. Omitir esse tipo de informação é inaceitável do ponto de vista ético. Além disso, agindo assim, o antigo proprietário se torna juridicamente acionável em caso de danos futuros conseqüentes das avarias não relatadas ao comprador.

  
Vejo que muitos motoristas jogam o toco de cigarro pela janela, em vez de apagá-lo no cinzeiro do carro. Isso é aceitável?
Não. Você jogaria uma bituca no chão de sua própria casa? Pois então não existe desculpa para sujar o chão dos espaços públicos, que são a casa de todos.